Argentina volta a atrair investidores estrangeiros

Duas empresas estrangeiras estão anunciando investimentos na Argentina, apesar da grave crise econômica: a Claxson, um holding de meios de comunicação venezuelana, e a norte-americana de alimentos Kraft. Com faturamento de US$ 60 milhões anuais, a Claxson - controlado pelo grupo Cisneros, em conjunto com o fundo de investimentos Hicks, dos EUA, decidiu criar o "Mil Horas", uma empresa que produzirá, nos próximos meses, mil horas de documentários.A Claxson pretende aproveitar a desvalorização da moeda argentina, que em menos de nove meses passou de uma cotação de US$ 1,00 para 1,00 peso, a US$ 1,00 a 3,65 pesos, além da redução da mão-de-obra local especializada nos trabalhos de pós-produção, edição e locução. A intenção é a de vender para canais de TV a cabo da região uma variedade ampla de documentários ao gosto do público latino-americano, que vão desde 13 produções sobre o Kama Sutra, seis sobre o Feng Shui, além de um ciclo inteiro sobre ovnis e outros sobre cinema, bruxarias, horóscopo sexual e histórias de mistério.Outro exemplo de ida à Argentina, que na verdade é um retorno, é o da Kraft. Em 1999, a linha de sobremesas desta empresa havia deixado o território argentino para partir para o Brasil. Mas esse panorama voltou a mudar com a desvalorização argentina. Produtora dos pudins e gelatinas Royal, a empresa foi seduzida pelos custos finais 20% mais baratos na Argentina pós-desvalorização do que no Brasil atual.A produção da Kraft se concentrará na cidade de Villa Mercedes, província de San Luis, onde pretende fabricar 11 milhões de quilos anuais de pudins, gelatinas e outros produtos para sobremesa. Segundo Alberto Pizzi, gerente-geral de alimentos e bebidas da Kraft, em declarações à imprensa argentina, "o mercado brasileiro de sobremesas será atendido desde a Argentina. Também abasteceremos o Chile e o Uruguai".ImóveisAlém dos elevados custos de mão-de-obra, a Argentina também afugentava os investidores por causa dos altos preços dos imóveis para instalar seus escritórios. Buenos Aires impunha os preços mais elevados da América Latina. Um dos casos dos altos custos podia ser observado na esquina das avenidas Libertador e 9 de Julio, onde o aluguel de um escritório de 200 metros quadrados custava US$ 10 mil no ano passado. Este ano, o custo já despencou para US$ 5 mil e continua em queda.A desvalorização da moeda e a quase total falta de demanda por imóveis mudou o panorama radicalmente. Enquanto que ao longo da década de 1990 comercializavam-se entre 100 mil e 140 mil metros quadrados por ano, calcula-se que entre janeiro e dezembro deste ano serão comercializados somente 50 mil metros.Segundo um relatório da consultora norte-americana CB Richard Ellis, o mercado de imóveis da capital argentina teve uma queda de 68,8% nos valores em dólares nos últimos doze meses. O preço dos aluguéis caiu 55,7% no mesmo período. Buenos Aires perdeu a primeira posição nos preços de escritórios na América Latina e hoje está abaixo dos custos dos similares na Cidade do México, São Paulo, Rio de Janeiro e Montevidéu. A capital argentina equipara-se à Santiago do Chile, Assunção e Lima, e só está acima de Bogotá, Quito e cidade do Panamá.BancosA M&S Consultores anunciou que os grandes investidores voltaram a depositar nos bancos argentinos. Do total de 9,2 bilhões de pesos existentes no início de agosto em depósitos a prazo fixo, 5,9 bilhões são relativos a depósitos retidos dentro do confisco bancário, enquanto que 3,3 bilhões são prazos fixos novos, livres do semi-congelamento de depósitos. Deste total, 2,2 bilhões são depósitos a prazo fixo de mais de 1 milhão de pesos. Os depósitos novos possuem prazos em média inferiores a 15 dias, e obtêm taxas de juros elevadas, entre 65% e 100% anual.

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