Argentina volta a captar no exterior depois de seis meses

Quase seis meses depois de ter ficado fora dos mercados internacionais, a Argentina conseguiu captar hoje 500 milhões de euros (US$ 470 mi) ao emitir eurobônus a uma taxa de 10,15% para os investidores, pouco abaixo dos 10,28% conseguidos no dia 18 de agosto do ano passado, quando o Ministério de Economia havia emitido bônus similar. A operação foi liderada pelo J.P. Morgan Chase e pelo Crédit Suisse First Boston (CSFB). O papel foi colocado com um cupom de 10% e preço de 99,35% do valor de face. O "spread" foi 555 pontos básicos sobre a taxa de referência em euros, de acordo com informe da Secretaria de Finanças. O prazo do vencimento dos eurobônus é fevereiro de 2007. A emissão de nova dívida hoje ocorreu cinco meses e meio depois de ter praticamente se afastado dos mercados internacionais por causa do significativo aumento das taxas de juros internacionais e do risco país, que chegou a passar de 1.000 pontos no pior período da crise política e econômica no último trimestre do ano passado."Dinheiro fresco" - Os recursos captados nesta sexta-feira pela Argentina são diferentes ao intercâmbio de bônus que o governo prepara para a próxima semana, já que se trata de "dinheiro fresco". De acordo com analistas do mercado, o montante captado hoje é um sinal de que o governo argentino está disposto, agora, a buscar dinheiro novo no mercado internacional depois de haver conseguido a blindagem financeira do Fundo Monetário Internacional (FMI), com a qual conseguiu reduzir o risco país para menos de 660 pontos.A redução das taxas de juros norte-americanas, para 5,5%, também vai beneficiar significativamente a Argentina no seu programa de financiamento para este ano, período em que tem de honrar compromissos externos que se aproximam de US$ 27 bi. Na próxima terça-feira, a Secretaria de Finanças fará um novo leilão de Letras do Tesouro (Letes) de 91 dias e de 182 dias no mercado local, no valor de US$ 700 mi. Essa renovação de dívida de curtíssimo prazo é prévia ao "swap" de US$ 3 bi programados para quarta-feira pelo governo. Esta troca de dívida faz parte do pacote financeiro de US$ 39,7 bi assinado com o FMI ao final do ano passado. O secretário de Finanças, Daniel Marx, informou que a emissão de bônus em euros nesta sexta-feira abre espaço para voltar ao mercado japonês, já que existem propostas para emitir nova dívida em ienes. Para Marx, essas ofertas significam que a percepção dos mercados e dos investidores internacioanis sobre a Argentina está mudando. Partindo dessa análise, o governo argentino quer aproveitar o momento para trocar parte de sua dívida por outra de prazo maior. As ofertas para o swap devem alcançar US$ 3 bi ou até mais, de acordo com analistas do mercado. Os bancos que devem liderar essa operação, Goldman Sachs e Salomon Smith & Barney, têm recomendado os seus clientes a aproveitar o momento para fazer essa troca de dívida. A vantagem, afirmam os analistas, é que o investidor que aceitar o "swap" evitará o "spread".

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