EFE
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Argentina volta a medir inflação

Índice foi distorcido a partir de 2007 com Cristina e divulgação foi suspensa nos primeiros meses de Macri; alta dos preços chegou a 4,2% em maio

Rodrigo Cavalheiro, correspondente, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2016 | 18h57

O governo argentino divulgou nesta quarta-feira, 15, a inflação de maio: 4,2%. O anúncio de um dado elementar ganhou repercussão porque desde 2007, quando Cristina Kirchner assumiu o poder em seu primeiro mandato, havia distorções por intervenção estatal. Com a chegada de Mauricio Macri à Casa Rosada em dezembro, a divulgação foi suspensa sob argumento de que era preciso tempo para chegar a um indicador confiável. O país ficou sem índice de inflação.

A irregularidades iniciadas no kirchnerismo foram apontadas por organismos internacionais como o FMI e admitidas por economistas simpáticos ao governo anterior. Com a maquiagem oficial, o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) perdeu credibilidade e a oposição a Cristina no Congresso passou a difundir um índice próprio, a partir de uma média apontada por consultorias privadas.

Essa medição do Parlamento serviu de munição ao macrismo contra Cristina, para apontar adulterações que se estendiam a outros indicadores, como a pobreza. No fim do período kirchnerista, enquanto o Indec marcava 15% por ano, a medição paralela do Congresso era de 25%. "Durante 2014 e 2015 houve certa normalização na metodologia, mas entre 2007 e 2014 a distorção era realmente repudiável", avalia Ignácio Almirón, economista da Universidade de Buenos Aires.

Quando Macri assumiu a Casa Rosada, suspendeu a divulgação. Conflitos internos sobre o prazo necessário para chegar a este dado levaram à demissão de funcionários de alto escalão, em uma das crises do governo da coalizão Cambiemos, de centro-direita.

Se a volta a um índice oficial é um ponto positivo na tentativa de Macri de retomar a credibilidade interna e externa, o número encontrado é motivo de intranquilidade para um governo que projetou uma inflação de 25% a 30% para o ano. O acumulado dos últimos 12 meses, segundo o IPC-Congresso, ainda a base mais confiável para essa projeção, é de 43%. Os aumentos mais significativos segundo o novo índice oficial para maio foram em transporte e comunicações (5,6%), alimentos e bebidas (3,7%), educação (3,7%) e roupas (2,3%).

A disparada dos preços é admitida pelo governo de Macri como a principal fonte de preocupação. A inflação deu o primeiro salto com a desvalorização do peso em 30% logo após sua posse, em dezembro, quando se liberou a compra de dólares no país, controlada pelo kirchnerismo desde 2011. Nos meses seguintes, o corte de subsídios criados pelo kirchnerismo para tarifas públicas agravou a tensão social. Contas de água, luz e gás tiveram aumentos de 4 a 5 vezes. Isso contribuiu para que a inflação de abril tenha sido a maior em 14 anos segundo a média informada pelo Congresso: 6,7%.

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