Argentina YPF quer parceria com a estatal brasileira

O presidente da argentina YPF, Miguel Galuccio, revelou ontem que há interesse da empresa em conversar com a Petrobrás para uma possível parceria. "Não temos nada conversado ainda, mas a Petrobrás está na nossa carteira de intenções", afirmou ele.

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE / BUENOS AIRES, O Estado de S.Paulo

31 de agosto de 2012 | 03h06

Por enquanto, segundo ressaltou Galuccio, "não há nada concreto". Mas ele pretende fazer uma viagem ao Brasil em breve, acompanhado do ministro de Planejamento, Julio de Vido, para tratar desse assunto.

No primeiro semestre, o ministro De Vido esteve em Brasília para pedir que a Petrobrás aumentasse os investimentos na Argentina. A estatal brasileira perdeu uma área de concessão em Neuquén e o caso se encontra no Supremo Tribunal Federal, já que a estatal brasileira tenta retomar a área, chamada Veta Escondida.

A declaração de Galuccio foi feita durante coletiva de imprensa onde o executivo anunciou que a YPF quer elevar a produção de petróleo e gás em 32% e de combustíveis em 37% no período de 2013 a 2017. A meta vai exigir investimentos totais em torno de US$ 37,2 bilhões, dos quais 73% serão alocados em exploração e 22% em refinaria. Do total dos investimentos, cerca de 80% serão financiados com recursos próprios, conforme plano detalhado pelo executivo.

Em 2011, o fluxo de caixa da empresa foi de 12,8 bilhões de pesos (em torno de US$ 2,8 bilhões). Caso não encontre os sócios necessários para atingir o objetivo, a companhia projeta investimentos menos ambiciosos, da ordem de US$ 24,7 bilhões.

Galuccio reconheceu que a YPF pode, inicialmente, ser prejudicada pela disputa que o governo de Cristina Kirchner mantém com a espanhola Repsol, em torno da expropriação de 51% de suas ações na companhia, anunciada em abril. Porém, o executivo acredita que a empresa é atraente o suficiente para afastar a desconfiança dos investidores internacionais.

"Com o tempo, esse receio vai desaparecer na medida em que mostramos um plano sólido e com resultados", argumentou.

O executivo anunciou ter fechado na quinta-feira memorando para parceria com o grupo argentino Corporación América - o mesmo que ganhou as licitações de privatizações brasileiras dos aeroportos de Brasília e de Natal - que aportaria investimentos de US$ 500 milhões. Ele disse ter assinado também um acordo com a petrolífera Bridas, controlada pela família argentina Bulgheroni e pela chinesa China National Offshore Oil Corporation. Além disso, Galuccio afirma que está em "conversações avançadas" com a americana Chevron.

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