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Argentino investe em energia no Brasil

País ganha prioridade nos planos do grupo Impsa

Ariel Palácios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

26 de agosto de 2009 | 00h00

O grupo Pescarmona, a terceira maior multinacional da Argentina, elegeu o Brasil como sua prioridade. "Nesse momento, o mercado mais dinâmico para nós é o Brasil", afirma, sem esconder seu entusiasmo, o controlador do grupo, Enrique Pescarmona. Por meio da principal empresa do holding, a Impsa, de mais de 100 anos de existência, Pescarmona está investindo firme no País, que considera um exemplo para a região. "O Brasil é o exemplo a seguir, já que encontrou seu caminho há bastante tempo. Temos muito o que aprender do Brasil. Tenho muita confiança nesse país", afirmou o empresário após a inauguração, na semana passada, de um parque de energia eólica (gerada pelo vento) no Ceará, cujos equipamentos são fabricados por uma fábrica da Impsa em Pernambuco.O parque eólico no Ceará, a 80 quilômetros de Fortaleza, em Praia do Parajuru, no município de Beberibe, conta com 19 aerogeradores, que fornecerão, no total, 28,8 megawatts (MW) de energia. A capacidade do parque permitirá o abastecimento de energia elétrica de 50 mil residências.O empreendimento, uma parceria entre a Impsa, com 51%, e a Cemig, recebeu investimentos de US$ 260 milhões. Nos arredores de Fortaleza também serão instalados outros dois parques, na Praia do Morgado e na Volta do Rio. Os três parques, contarão, no total, com capacidade de geração de 99,6 MW.Em Santa Catarina, a Impsa está implementando outro empreendimento: um parque eólico que implicará em investimentos de US$ 260 milhões até o final deste ano. O novo parque deve iniciar seu funcionamento em 2010. Esse parque e outros que a Impsa prevê em Santa Catarina devem significar, no longo prazo, um investimento de US$ 620 milhões.SEGUNDO PLANONa verdade, a Argentina, sede do grupo, ficou em segundo plano nos projetos de expansão do grupo. Por trás da decisão está a caótica política energética do governo da presidente Cristina Kirchner. Além disso, o setor está paralisado na Argentina, país que não constrói uma hidrelétrica de peso há uma década (e onde a exploração de gás está encolhendo).Enrique Pescarmona já declarou à imprensa que os mercados mais dinâmicos são o Brasil, Venezuela, Malásia, Vietnã e Colômbia. Mas também indica que seu próprio país ainda tem seu espaço: "Também nos importam a Argentina e o Chile."A Impsa, com filiais em dez países, possui US$ 300 milhões em ativos no exterior, de um total de US$ 919 milhões de patrimônio geral, segundo um estudo que a Prospera (a agência argentina de desenvolvimento de investimentos) e o Centro Vale de Columbia, EUA, elaboraram sobre as multinacionais argentinas.Os empresários argentinos costumam destacar que o Brasil é um país que está avançado na regulação do setor energético, na participação moderada do Estado na economia e nas possibilidades de financiamento. Na contramão, eles costumam reclamar que, em seu país, o Estado (especialmente desde que o casal Cristina e Néstor Kirchner chegou ao poder) interfere constantemente na economia e muda com frequência as regras do jogo.

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