Argentino usa a Bíblia para defesa do protecionismo

?Quem estiver livre de pecado que atire a primeira pedra?, diz secretário

Ariel Palacios, BUENOS AIRES, O Estadao de S.Paulo

13 de fevereiro de 2009 | 00h00

Em plena crise global, que trouxe de volta a tensão Brasil-Argentina no comércio bilateral, o governo da presidente Cristina Kirchner optou por recorrer à Bíblia - mais especificamente, ao Evangelho Segundo São João - para defender o protecionismo argentino. "Quem esteja livre de pecado, que atire a primeira pedra", afirmou o secretário de Relações Internacionais Econômicas da Chancelaria argentina, Alfredo Chiaradía, ao jornal La Nación. Deixando a Bíblia de lado, Chiaradía - um dos principais negociadores argentinos para assuntos do Mercosul - também recorreu a outras metáforas para defender as políticas de controle sobre as importações: "Cada país usa a arma que tem para se defender: um tanque, um estilingue."Ao longo dos últimos meses a Argentina não esteve "livre de pecado", já que aplicou várias medidas protecionistas, que se intensificaram desde o início deste ano. Grande parte das medidas afeta a entrada de produtos do Brasil, seu principal sócio comercial e estratégico. A Argentina aplica medidas variadas (licenças não automáticas, valores de referência, entre outros) a produtos de todo o mundo. Entre esses, estão 2.400 produtos made in Brazil. Mas os mais afetados são 161 produtos alvos de licenças não automáticas (o equivalente a 4,4% do comércio bilateral).Mas os industriais argentinos consideram que o Brasil não pode "atirar a primeira pedra". Eles relembram que há duas semanas o governo brasileiro anunciou a aplicação de maiores controles sobre 60% das importações realizadas pelo Brasil. A medida teve vida breve - pouco mais de 48 horas - mas foi suficiente para colocar os empresários argentinos em pânico. Eles temem que, no futuro próximo, o Brasil adote medidas protecionistas por tempo prolongado.No meio da semana, a Fiesp pediu ao governo a adoção de restrições para a entrada de produtos argentinos, como represália pelas licenças não automáticas aplicadas pelo governo Cristina. Os argentinos - embora defendam protecionismo para seus produtos - reagiram com indignação.O presidente da União Industrial da Província de Buenos Aires, Osvaldo Rial, disse que a Fiesp "deveria se preocupar mais com os produtos da China do que com a Argentina". Segundo Rial, a China "é a verdadeira ameaça".

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