Argentinos aderem à luta contra vilão da inflação, o tomate

Boiocote de consumidores faz preço do produto cair e abre espaço para acordo sobre preços antes de eleição

Marina Guimarães, da Agência Estado,

09 de outubro de 2007 | 13h45

As entidades de defesa dos consumidores venceram o primeiro round da luta contra um dos vilões da inflação: o tomate. Um dia de boicote contra o produto foi suficiente para baixar o preço do quilo de 16 para 12 pesos (R$ 9,23 para R$ 6,93). Na segunda, algumas associações de defesa dos direitos dos consumidores distribuíram um tomate por pessoa para que somar adeptos ao boicote.   "As vendas no mercado central caíram 40% e isso mostra que o protesto começou a funcionar. Imagina o resultado que teremos até o final da semana, disse a presidente do Centro de Educação ao Consumidor (CEC), Susana Andrada, que propõem um boicote até a próxima sexta-feira.   Para o CEC, o tomate tem que custar 3,99 pesos (R$ 2,3), conforme o preço indicado pelo questionado Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), baseado na inflação anual oficial de 10%. Porém, conforme os números da inflação real anual de entre 16% a 20% , calculada pelas consultorias e universidades, o tomate deveria custar entre 6 a 7 pesos (R$ 3,46 a R$ 4,03).   Os consumidores, economistas, empresários e oposição não são os únicos preocupados com a disparada dos preços. Embora minimize os efeitos da alta do Índice dos Preços ao Consumidor e cada vez mais manipule esses dados, o governo também demonstra preocupação com o assunto.   Prova disso é a reunião convocada pelo secretário de Comércio Interior, Guillermo Moreno, para esta quarta-feira, com todos os supermercadistas e indústrias alimentícias. O objetivo da reunião é pedir aos empresários para que baixem 5% os seus preços. O presidente Néstor Kirchner quer anunciar o acordo antes das eleições de 28 de outubro, segundo informaram fontes da indústria de alimentos. O governo quer desarmar o principal argumento da oposição que vem ganhando terreno com a inflação.   Os principais opositores da candidata oficial, Cristina Fernández de Kirchner, o ex-ministro Roberto Lavagna e a deputada Elisa Carrió, que disputam o segundo lugar nas pesquisas, acusam o casal Kirchner de não fazer nada para domar o dragão da inflação.   Os acordos de preços que Moreno tem imposto nos últimos dois anos não tem funcionado, mas o governo sabe capitalizar bem a foto dos empresários e do anúncio de uma suposta redução dos preços dos alimentos, principalmente faltando apenas 18 dias para as eleições presidenciais.

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