Argentinos adiam esperanças para o início de 2003

Três anos e meio de recessão e a perspectiva que ela permaneça por tempo indeterminado eliminaram o otimismo dos corações e mentes dos argentinos. Segundo uma pesquisa do Gallup, 36% dos habitantes deste país consideram que, nos próximos 12 meses, a situação econômica pessoal e familiar vai piorar. Outros 31% afirmam que o cenário de vacas magras poderá não piorar, mas tampouco melhorará. Desta forma, 66% dos argentinos não enxergam qualquer esperanças de melhoria até o início de 2003.A pesquisa também indica que 55% da população retiraria seu dinheiro dos bancos imediatamente se não houvesse "corralito", denominação do semicongelamento de depósitos bancários. A desconfiança dos argentinos quanto ao sistema financeiro é um pouco menor em 13% dos pesquisados, que afirmam que deixariam seus depósitos no sistema financeiro, embora preferissem trocar de empresa bancária. Somente 24% dos clientes dos bancos deixariam o dinheiro onde está atualmente.Depois de quase uma década de inflação perto de zero e de quatro anos de deflação, os argentinos assistem horrorizados ao retorno da inflação. O recente crescimento dos preços dos alimentos e dos combustíveis faz com que 23% considerem que os preços "aumentarão muito" nos próximos meses. Outros 46% afirmam que os preços aumentarão "um pouco".O ministro da Produção, Ignacio De Mendiguren, deixou o otimismo que tinha quando tomou posse, há menos de dois meses, e admitiu que a recuperação econômica "custa muito, e está demorando".Depois de vários anos de recessão, a paciência dos argentinos acabou. Entre eles, a irritação com a política econômica aumenta a cada dia, o que fica evidenciado pelos protestos populares que já transformaram parte do cotidiano das grandes cidades argentinas. Pelas ruas de Buenos Aires, diariamente transitam centenas e até milhares de pessoas manifestando-se contra o "corralito", o desemprego, a corrupção da Suprema Corte de Justiça e a aprovação do impopular projeto de Orçamento Nacional.Grande parte dos protestos é embalada com panelaços, que desde dezembro transformaram-se na principal arma da população para expressar seu desgosto. Segundo a consultora Analogias, o panelaço está adquirindo mais popularidade com o agravamento da crise. Enquanto que em janeiro somente 37% dos argentinos aprovavam o panelaço, em fevereiro a proporção subiu para 45,9%.Só para ricosSegundo uma pesquisa do consultor de opinião pública Julio Aurelio, 55% dos argentinos consideram que Duhalde "governa só para os ricos", enquanto que somente 16% acredita que o presidente administra o país para a classe média. A aura de "pai dos pobres" que os representantes do Partido Justicialista (Peronista) possuíam antigamente desapareceu, já que somente 10% da população afirma que Duhalde governa para a classe operária.Leia o especial

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.