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Argentinos bloqueiam todas as pontes com o Uruguai

Medida é protesto contra o início do funcionamento da fábrica de celulose da finlandesa Botnia

Ariel Palacios, do Estado,

11 de novembro de 2007 | 19h12

Manifestantes argentinos da área da fronteira bloquearam nesta domingo, 11, com piquetes as três pontes que ligam o país com o Uruguai. A medida foi realizada em protesto contra o início do funcionamento, na quinta-feira à noite, da fábrica de celulose da empresa finlandesa Botnia, instalada no município uruguaio de Fray Bentos, sobre o rio Uruguai, que divide os dois países.  O governo do presidente uruguaio Tabaré Vázquez colocou um forte contingente policial nas redondezas da da Botnia para protegê-la de eventuais ataques ou sabotagens por parte dos manifestantes argentinos - especialmente os habitantes da cidade argentina de Gualeguaychú, localizada na frente de Fray Bentos - que pedem o desmantelamento imediato da fábrica, a qual, consideram, provocará um "apocalipse" ambiental e econômico na região. A ponte que liga Gualeguaychú a Fray Bentos está bloqueada por piquetes argentinos há um ano. No domingo foi a vez da ponte que liga a argentina Concordia com a uruguaia Salto ficar bloqueada "por tempo indeterminado". A ponte entre Colón, na Argentina, e Paysandú foi o alvo de piquetes "temporários". O vice-presidente uruguaio, Rodolfo Nin Novoa, afirmou que "não existe estado de guerra... mas estamos tomando medidas para que não ocorram desgraças e evitar circunstâncias dolorosas". O governo uruguaio fechou no sábado o lado uruguaio da ponte que liga Fray Bentos a Gualeguaychú para evitar a entrada de manifestantes argentinos e, assim, desestimular eventuais ataques ou sabotagens contra a fábrica. As relações entre os dois países estão em elevado estado de tensão há dois anos por causa da fábrica da Botnia. Mas, agravaram-se na sexta-feira, quando tornou-se pública a autorização emitida pelo presidente Vázquez. O governo do presidente argentino Néstor Kirchner - em sintonia intensa com os manifestantes - acusou ontem Vázquez de "debilitar as relações bilaterais" e de não querer negociar sobre o funcionamento da fábrica. O chanceler uruguaio Reinaldo Gargano retrucou, afirmando que o governo Vázquez está "disposto a retomar o diálogo" mas que não negociará enquanto os piquetes continuarem. Segundo ele, a Argentina, ao permitir os piquetes, viola o princípio do Mercosul de livre circulação de mercadorias e pessoas.  Na sexta-feira, durante a Cúpula Iberoamericana realizada em Santiago do Chile, Kirchner e Vazquez intercambiaram duras críticas, colocando a pique as negociações apadrinhadas pelo governo da Espanha. Os analistas afimam que o conflito tende a agravar-se. A perspectiva, afirmam, é que a Guerra da Celulose "envenenará" as relações entre os dois países por vários anos. O investimento para a fábrica da Botnia é de US$ 1,2 bilhão, o equivalente a 9% do PIB uruguaio. Este é o maior investimento da História do país, além de ser o primeiro passo no ambicioso plano de transformar o Uruguai em uma potência de celulose no Hemisfério sul.

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