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Argentinos convocam boicote às praias uruguaias

A Assembléia Popular de Gualeguaychú e diversas organizações ecologistas convocaram nesta terça-feira na capital argentina um boicote contra as praias uruguaias neste verão. A idéia é que os mais de 600 mil argentinos que costumeiramente visitam o litoral uruguaio (mais da metade do total de turistas que freqüentam essa área do país) optem pelas similares em território argentino. "Passe o verão na Argentina" é o slogan. O boicote é em protesto contra a instalação de fábricas de celulose no município uruguaio de Fray Bentos, sobre o rio Uruguai, que divide os dois países. Os habitantes de Gualeguaychú consideram que as fábricas causarão uma catástrofe ambiental e econômica na região. Segundo os integrantes da Assembléia, Gualeguaychú é um "barril de pólvora", que "a qualquer momento pode estourar". Em março, a poderosa Assembléia reuniu mais de 100 mil pessoas no acesso da ponte a Fray Bentos para protestar contra as fábricas.O governo uruguaio defende as fábricas, argumentando que são cruciais para desenvolver a atualmente espartana economia do país. O Uruguai ainda se recupera de uma crise econômica de cinco anos, concluída em 2003.A instalação das fábricas está causando há pouco mais de um ano a pior crise diplomática entre a Argentina e o Uruguai desde 1955. Desde agosto passado, os gualeguaychenses contam com o respaldo enfático do presidente Néstor Kirchner, que envolveu-se pessoalmente na denominada "Guerra da Celulose". Kirchner levou o caso à Corte Internacional de Haia, para deter a construção das fábricas da finlandesa Botnia e da espanhola Ence. No entanto, foi derrotado no tribunal.Kirchner tentou continuar sua ofensiva pedindo ao Banco Mundial a suspensão dos créditos para as empresas. No meio da crise, há poucas semanas, a espanhola Ence anunciou que abandonava os planos de instalar-se em Fray Bentos. A Ence disse que pretende instalar a fábrica em outra parte do Uruguai. No entanto, até agora não houve definições sobre o caso. Diversas especulações indicam que a Ence, cansada das pressões argentinas, e com problemas internos, teria decidido deixar o país. Analistas uruguaios alertam para o perigo de que a eventual partida da Ence mostrará o Uruguai como um país de "risco" para os investidores internacionais.A ofensiva de Kirchner no Banco Mundial tampouco teve resultado. Nesta terça tornou-se público que um estudo técnico preliminar da Corporação Financeira Internacional (CFI), organismo do Banco Mundial, indica que as fábricas não afetam a qualidade da água ou do ar em toda a região da fronteira. No entanto, o relatório recomenda um monitoramento bilateral uruguaio-argentino sobre a descarga de dejetos nas águas do rio Uruguai. O documento também cita o plano de desenvolvimento florestal do Uruguai, que sustenta que o impacto que as fábricas poderiam causar é "pequeno" e que pode ser "administrado". Analistas em Buenos Aires indicam que se o Banco Mundial aprovar os créditos, a estratégia de Kirchner terá fracassado de forma retumbante. A única forma de pressão será a dos piquetes nas estradas.PiquetesA Assembléia de Gualeguaychú preparava-se nesta terça no fim da noite para debater a realização de piquetes nas pontes que ligam a Argentina ao Uruguai, reeditando os bloqueios realizados no início deste ano.O governo uruguaio observou a convocação do boicote e da ameaça de piquetes com preocupação, já que um novo e eventual corte no fluxo de turistas para o país abalaria a indústria hoteleira, cuja principal fonte de renda provém dos turistas argentinos, que há três décadas dedicam-se a passar o verão nas praias do Uruguai, mais cálidas e limpas do que as da Argentina. No verão passado, os piquetes em duas das três pontes que ligam os dois países impediram o livre trânsito de bens e pessoas, causando prejuízos de US$ 500 milhões à modesta economia uruguaia.O chanceler uruguaio, Reynaldo Gargano, declarou que a Argentina tem a "obrigação moral" de garantir o livre trânsito nas estradas internacionais, que é um dos pilares do Mercosul. O Ministro do Turismo, Héctor Lescano, afirmou que combaterá os ataques do lado argentino com campanhas "positivas" sobre o Uruguai.

Agencia Estado,

10 de outubro de 2006 | 18h36

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