Argentinos encontram grande jazida de petróleo na Patagônia

Reservas proporcionariam cerca de 120 milhões de barris por ano, o equivalente a metade da produção do país

Ariel Palacios, de O Estado de S. Paulo,

28 de janeiro de 2008 | 08h17

No meio da crise energética que assola a Argentina desde 2004, o governo da presidente Cristina Kirchner celebrou a descoberta de uma nova jazida de petróleo na Patagônia. A descoberta, a mais importante em muitos anos, foi realizada na bacia Escalente, nas jazidas de Cerro Dragón, nas vizinhanças da cidade de Sarmiento, no sul da província de Chubut. A estimativa é que os poços descobertos pela empresa Pan American Energy proporcionariam à produção argentina até 120 milhões de barris por ano.   Esta companhia é controlada em 60% pela British Petroleum e 40% pelos Bulgheroni, uma família argentina de longa tradição no negócio petrolífero.   As jazidas encontradas pela Pan American Energy proporcionariam de 100 a 120 milhões anuais de barris, o equivalente a meio ano de reservas argentinas. Atualmente, a Argentina produz 240 milhões de barris anuais. As reservas, antes desta descoberta, eram calculadas em seis anos de duração.   Para o governo argentino, a notícia foi considerada como um "bálsamo" já que nos últimos 10 anos as empresas petrolíferas fizeram poucas descobertas de novas jazidas no país, fato que gera preocupações sobre a capacidade de auto-abastecimento do país para os próximos anos.   Diversos analistas indicavam que em 2015 a Argentina poderia tornar-se um grande importador de petróleo, de forma a paliar suas crescentes necessidades de combustível.   O contrato assinado pela Pan American Energy com o governo de Chubut (cujo governador, Mario das Neves, ambiciona ser presidente da República), determina uma concessão até 2027 (podendo ser prorrogada até 2047). O contrato estipula que a empresa deverá investir US$ 778 milhões nos primeiros 10 anos. No resto da concessão, deverá investir pelo menos outros US$ 1,2 bilhão   A província contará com royalties de 15% provenientes dessas jazidas. A partir do fim da concessão, o Estado chubutense, por meio da estatal provincial Petrominera, será a única proprietária da exploração dessas áreas. Chubut possui 41,5% das reservas argentinas de petróleo. Os três novos poços de petróleo de Cerro Dragón possuem 2.400 metros de profundidade.

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