Argentinos ficam sem telefone e luz elétrica

A cada dia, mais de cinco mil argentinos precisam abandonar algum serviço público. O motivo é que o acelerado empobrecimento dos habitantes deste país está impedindo que realizem os pagamentos mensais dos serviços. Com a redução de mais de 30% dos salários, junto com o aumento da inflação, que desde o início do ano acumula 37,5%, os argentinos estão sem dinheiro para pagar seus telefones, o gás, além da energia elétrica.Na cidade de Buenos Aires, a empresa Gás Natural anunciou que está realizando 1.000 cortes diários. Anos atrás, do total de cortes realizados, 80% realizava os pagamentos atrasados e obtinha novamente o serviço. Mas atualmente, somente 60% paga os atrasos. Os outros 40% ficam sem gás.No setor elétrico, o cenário é similar. No primeiro semestre deste ano, a empresa de distribuição de eletricidade Edesur suspendeu o serviço de 104 mil clientes que não puderam pagar. Destes, menos de 50%, somente 45 mil, conseguiram o retorno do serviço. Calcula-se que na cidade de Buenos Aires, diariamente, um novo grupo de 700 pessoas fica sem energia elétrica, e precisa viver à luz de velas. Esse é o caso de Mario, um arquiteto arruinado que mora no bairro de classe média alta de Belgrano. Dono de um apartamento de 200 metros quadrados, ilumina sua casa com velas, pois perdeu seu emprego, seu dinheiro ficou preso dentro do "corralito" (semi-congelamento de depósitos bancários) e não possui fundos para pagar a eletricidade. "É a luz ou a comida", disse nesta semana ao Estado.Na área de telefonia, o panorama também é grave. O secretário de Comunicações, Marcelo Kohan, admitiu que até o fim deste ano, mais de 800 mil linhas de telefonia fixa terão sido desligadas. Isso equivale a 10% do total de telefones no país. O setor de telefonia celular também está sendo duramente atingido pelos tempos de vacas magras. Dos 7,16 milhões de celulares existentes em janeiro, em julho o número havia sido reduzido em 480 mil, caindo para 6,67 milhões de aparelhos ligados.Analistas afirmam que este cenário de inadimplência dos usuários e o crescente número de pessoas sem serviços básicos poderia agravar-se nos próximos meses, quando o governo autorizar o aumento das tarifas dos serviços públicos. Desde o início do ano, as empresas privatizadas de serviços pedem um aumento de suas tarifas, alegando que foram prejudicadas pela desvalorização do peso, a moeda nacional, o que aumentou o custo dos insumos que utilizam, a grande maioria, importados.

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