carteira

As ações mais recomendadas para dezembro, segundo 10 corretoras

Argentinos inauguram amanhã a "Era Kirchner"

No país de 36 milhões de habitantes, a magnitude da pior crise de sua história, iniciada em 1998, e seu dramático ápice em 2001/02, deixaram uma pesada herança econômica e social para o presidente argentino Néstor Kirchner, a quem caberá solucionar inúmeros problemas deixados por seu antecessor, Eduardo Duhalde.As cifras oficiais do Indec (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos) assustam: 57,5% da população (20,8 milhões de pessoas) vivem abaixo da linha de pobreza; destes, quase a metade, 27,5% (9.995 milhões de argentinos) já chegou à extrema situação de indigência. Os números do Banco Mundial, no entanto, apontam para 63% de pobres.Enquanto a indústria trabalha com 70% de seu potencial, o índice de desemprego é de 17,8% (2,5 milhões de habitantes), e de subemprego alcança 19,9% da população. Os investimentos caíram 60%, embora no ano passado a balança tenha registrado um superávit comercial recorde de US$ 16,3 bilhões - mas a fuga de capitais foi de igual proporção. O Banco Central calcula que os argentinos que ainda possuem debaixo de seus colchões cerca de US$ 30 bilhões de dólares, uma cifra três vezes maior que as reservas.A Argentina, que até poucos anos atrás era considerada a Europa da América Latina, hoje possui indicadores sociais inferiores aos de vários países latinos. Conforme os números do Indec, a maioria dos assalariados ganha em torno de 400 pesos mensais, menos que o custo de uma cesta básica, calculada em 723 pesos mensais, e quase a metade dos trabalhadores não têm carteira assinada. A desigualdade social colocou dois milhões de pessoas dependentes de subsídios de 150 pesos mensais, de acordo com o plano implantado pelo governo Duhalde, chamado Chefes e Chefas de Lares. Estes não estão incluídos nos índices de desemprego por causa dos subsídios; mas, se forem contabilizados, a desocupação aumenta de 17,8% para 23%.Embora os vatícinios de hiperinflação e de um dólar em disparada não tenham se confirmado e a recuperação da economia tenha começado, a distância para retornar aos níveis anteriores à crise é longa e difícil de ser percorrida a médio prazo. Neste cenário, a tarefa de reestruturação da dívida pública será um dos principais desafios que Néstor Kirchner terá que enfrentar.Segundo dados do ministério de Economia, a dívida é de US$ 155.442 bilhões de dólares, depois de contabilizar parte dos custos gerados pela desvalorização da moeda e sua posterior pesificação. O peso da dívida não condicionou a administração de Eduardo Duhalde porque há 17 meses se mantém o défault de um conjunto de títulos públicos equivalente a US$61,750 bilhões. Além disso, os vencimentos com os organismos financeiros internacionais foram prorrogados até agosto, quando vencerá o acordo com o Fundo Monetário Internacional, e o ministro de Economia, Roberto Lavagna, terá que negociar com o organismo para evitar o pagamento de cerca de US$ 6 bilhões de dólares que vencem de setembro a dezembro deste ano. Atualmente, a dívida representa 150% do PIB e requer uma engenharia brilhante para que seu peso não provoque novas crises a curto e médio prazos. Kirchner e Lavagna querem propor um "menu de opções", expressão utilizada pelo ministro para conseguir uma redução do valor da dívida a partir da combinação de "hair cut" (corte do capital principal), baixa da taxa de juros e alongamento dos prazos.A grande interrogação, entretanto, é se o presidente Néstor Kirchner está disposto a colocar em risco a viabilidade política e econômica de seu governo ao adotar um plano econômico que contemple o acúmulo de um superávit milionário somente para pagar a dívida, no momento em que a metade da população está mergulhada na pobreza.

Agencia Estado,

24 de maio de 2003 | 23h08

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.