Argentinos iniciam novo bloqueio na fronteira com o Uruguai

Um grupo de ambientalistas da província argentina de Entre Ríos iniciou neste sábado, 24, um novo bloqueio nas três passagens fronteiriças que ligam a Argentina ao Uruguai, "contra a implementação da fábrica de celulose da Botnia", produtora finlandesa.Trata-se da sexta interrupção do trânsito de veículos feita por moradores das cidades argentinas de Concórdia, Colón e Gualeguaychú, que, respectivamente, fazem fronteira com as uruguaias Salto, Paysandú e Fray Bentos, onde a companhia finlandesa Botnia está construindo uma fábrica de celulose.Os manifestantes de Gualeguaychú mantêm o bloqueio "por tempo indeterminado" desde 20 de novembro, enquanto os habitantes de Colón e Concordia fazem interrupções temporárias em protesto contra a instalação da fábrica, que consideram representar um risco para o meio ambiente.Neste sentido, a Assembléia Popular Ambiental de Concórdia convidou "todos os cidadãos a participar da manifestação a favor da vida e contra a poluição". Os manifestantes, que devem manter a interrupção simultânea dastrês passagens até as 22 horas (23 horas no horário de Brasília), também anunciaram que, na semana que vem, repetirão a medida "em coincidência com o fim do período de férias", momento em que o fluxo de veículos aumentaconsideravelmente nessa região.Bloqueios simultâneosOs integrantes das assembléias de Gualeguaychú, Colón e Concórdiaestão analisando a possibilidade de fazer bloqueios simultâneos durante a Semana do Turismo, realizada no Uruguai de 1º de março a 7 de abril.Manifestantes das três cidades anteciparam que, no domingo, 25, participarão de uma assembléia, com o objetivo de "unificar as mobilizações" contra a construção da fábrica de celulose, que levou a uma disputa entre a Argentina e o Uruguai que está sendo dirimida na Corte Internacional de Justiça de Haia.A diretora nacional do Meio Ambiente uruguaia, Alicia Torres, admitiu na sexta-feira, 23, que a Botnia fez testes hidráulicos na fábrica de celulose que está construída às margens do rio Uruguai, fronteira natural com a Argentina.A Chancelaria da Argentina pediu na quinta-feira ao embaixadoruruguaio em Buenos Aires, Francisco Bustillo, explicações sobre esteassunto, em meio à polêmica entre os dois países sobre a instalaçãoda fábrica.Além disso, a Chancelaria argentina havia enviado horas antesoutra mensagem ao Uruguai pedindo a Montevidéu que "não confunda" overdadeiro objeto da controvérsia bilateral que mantêm há anos arespeito da construção de fábricas de celulose.A Argentina respondeu assim a uma carta enviada há uma semanapela Chancelaria uruguaia, que reclamava dos bloqueios de passagensfronteiriças por parte dos ambientalistas argentinos.Desde novembro, o embaixador espanhol Juan Antonio Yáñez-Barnuevo tenta aproximar as partes para superar o conflito, no contexto da mediação feita pelo rei Juan Carlos para facilitar o diálogo entre os dois países.

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