Argentinos mantêm protestos contra "corralito"

Pichações, panelaços e palavras de ordem. Mais uma vez os argentinos se encontram no centro de Buenos Aires, protestando contra o ?corralito?. Os manifestantes convocam diariamente uma passeata na chamada city portenha, onde estão várias agências bancárias. Eles param em frente às agências para reclamar a devolução de seus depósitos e muitos reagiram mal à nota oficial da Associação de Bancos da Argentina (ABA), que pede calma e o fim dos ataques contra as agências. Neste momento, os manifestantes fazem uma rápida assembléia para decidir se impedem ou não a entrada dos clientes nos principais bancos. ?Queremos dar trabalho aos banqueiros, não à polícia?, disse um manifestante. A ABA publicou hoje uma nota oficial nos principais jornais do país solicitando "o diálogo, a serenidade e a responsabilidade de todos os setores para superar a crise e retomar o caminho do crescimento". Mais de 40 entidades financeiras assinam a nota, que manifesta a grande preocupação "pelos constantes e crescentes ataques que, nos últimos tempos, vêm recebendo os bancos, seus empregados e seus diretores". ?Esta violência não provém somente de alguns poupadores, angustiados pelo ´corralito´ decretado pelo Estado, mas também de setores políticos e da imprensa", diz a entidade. O comunicado, de alto teor acusatório e apelativo, completa que "os maus tratos aos funcionários, a destruição dos edifícios e instalações dos bancos e a difamação de seus diretores não solucionará a crise, e sim a agravará sensivelmente, gerando uma lamentável imagem internacional que redundará contra ao nosso país e de seus habitantes, empurrando-os para o isolamento". "É necessário gerar um clima de tranqüilidade para modificar as difíceis circunstâncias atuais", diz. "Nenhuma economia compatível com a democracia prospera sem um sistema financeiro sólido e estável". O pedido de calma feito pelos banqueiros demonstra o tamanho da preocupação que tomou conta tanto do governo, quanto de alguns setores, em relação ao risco de uma nova explosão social. Além disso, confirma a informação publicada ontem pela Agência Estado sobre a existência de um documento oficial em mãos do presidente Eduardo Duhalde prevendo incidentes e manifestações violentas para os próximos dias. O próprio ministro do Interior, Rodolfo Gabrielli, admitiu esta possibilidade.

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