Argentinos não devem comprar dólares, diz economista

O economista do Instituto Brasileiro de Mercados de Capitais (Ibemec) e ex-diretor do Banco Central (BC), Carlos Tadeu de Freitas, considera que o perigo de a população argentina correr para os bancos e comprar dólares continua e que, por isso, o governo decidiu manter o "feriado cambial" pelo menos até a sexta-feira. Para ele, a população ainda tem enorme desconfiança sobre a situação bancária do país e não tem certeza sobre a quebra ou não dos bancos e se o governo os socorrerá. Durante entrevista à Rádio Eldorado AM, Freitas explicou que se a liberação da compra de dólares ocorrer agora pode haver grande quantidade de saques nos bancos o que poderia gerar inflação."Esse dinheiro que as pessoas sacarem nos bancos, uma boa parte ficaria depositada em casa, debaixo do colchão, mas provavelmente a maior parte irá para comprar dólares e isso poderá forçar o preço do dólar para cima e consequentemente gerar pressões hiperinflacionárias", alertou.O ex-diretor do BC afirmou que o "grande problema" da Argentina, hoje, é gerar credibilidade entre a população para que possa sacar dinheiro dos bancos, porém, devolvê-lo através de ativos financeiros para que esse dinheiro permaneça depositado. "O que não pode acontecer é a população não ter credibilidade no sistema financeiro e, simplesmente, guardar o dinheiro ou comprar dólares aí, realmente a Argentina entra na hiperinflação", disse. Para o economista, no entanto, ainda não há medidas que gerem esta credibilidade necessária que somente serão conseguidas aos poucos. "Na medida em que o Banco Central da Argentina e o governo vão baixando essas normas, vão sentindo se isso irá gerar ou não credibilidade", avaliou. Freitas, porém, admite que o país precisa de um grande aporte de recursos externos, mas, de acordo com ele, isso poderá ocorrer somente após o governo argentino apresentar um plano de recuperação concreto. "Lá fora, os países mais desenvolvidos, mais ricos e o FMI estão esperando para que a Argentina apresente um projeto viável, corte no déficit, como hoje apresentou o ministro da Economia, para que possa começar a levantar recursos para ajudar a Argentina", previu ele.O economista considera que a Argentina não pode esperar por muito tempo tal processo de auxílio porque não terá "as contas organizadas tão cedo" e que, por isso, o FMI e os países desenvolvidos deveriam alocar recursos para a Argentina a fim de que o país evite a hiperinflação. "Como o FMI pode exigir da Argentina um programa econômico com precisão? Acho que o governo da Argentina já deu demonstrações cabais de que está querendo acertar", opinou.Leia o especial

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