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Argentinos não fizeram ajuste, avalia Kandir

O risco do Brasil se transformar na Argentina, comparação feita pelos candidatos da situação, da oposição e até pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, não deve ser o tema central da campanha presidencial, mas certamente será um importante ponto de reflexão. A avaliação é do deputado federal Antônio Kandir (PSDB-SP), ex-ministro do Planejamento. ?Não saberia dizer se o chamado ?efeito Argentina? será o grande cabo eleitoral nem se vai decidir as eleições, mas a análise do que aconteceu e está acontecendo naquele país será importante para que a sociedade brasileira tenha clareza na hora de votar?, afirmou.A experiência da Argentina, destaca Kandir, está sendo bem explorada pelo candidato José Serra (PSDB) e de forma errada pelo adversário do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, e pela oposição em geral. Segundo Kandir, a expressão usada por serra ?manter a casa arrumada? significa três pontos fundamentais: situação fiscal controlada e sustentável, taxa de câmbio flutuante e metas de inflação. ?O que o Serra quer dizer é o seguinte: ainda há o que fazer, mas a casa foi arrumada e não podemos voltar atrás. Nesse sentido, a Argentina não fez a lição de casa, daí o acerto de Serra e o equívoco da oposição?, argumentou.Dever de casaO deputado ressaltou que, ao contrário do Brasil, a Argentina ?não fez a lição de casa?, como afirmam os candidatos adversários. ?Na Argentina há um absoluto descompasso entre a orientação do governo central e as províncias, que não têm sintonia nenhuma com o governo central?, avalia. Segundo ele, faltou ao país vizinho uma ?construção fiscal sustentável?, como fez o Brasil. ?Aqui, 25 dos 27 Estados fizeram acordos de renegociação da dívida com o governo federal, que teve como contrapartida o equilíbrio das contas públicas correntes. Essa negociação nunca foi feita na Argentina?, afirmou.Na avaliação de Kandir, foi o que a Argentina não fez o controle das contas públicas, acordos com os Estados, saneamento financeiro e adoção do câmbio flutuante, o que levou o país a situação de hoje. ?Eu entendo que conta ponto negativo para o PT usar o ?efeito Argentina? como exemplo e dizer a Argentina fez a lição de casa e se deu mal. Isso só demonstra que a equipe econômica do PT não soube avaliar o que está acontecendo na Argentina, não souberam fazer o diagnóstico?, disse. Segundo ele, a comparação entre os dois países servirá para mostrar como fazer um crescimento sustentável sem exclusão social.Descontrole fiscalKandir alerta que o descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) ou um desajuste nos Estados, com o afrouxamento da situação fiscal estadual, seria o primeiro passo para o descontrole fiscal. Ele destaca ainda a mudança do câmbio rígido para o flutuante, como um dos pontos fundamentais no processo de ?arrumação da casa? no Brasil, e diferencial básico em relação à Argentina. ?Vários organismos internacionais reconhecem que, entre os países emergentes que fizeram a mudança cambial, a realizada aqui é a mais bem sucedida do ponto de vista de menos ônus para a produção e para o emprego?, abalizou Kandir.O deputado elogiou ainda a decisão de Serra, que sinalizou há alguns dias, ser favorável a manutenção no cargo do atual presidente do Banco Central, Armínio Fraga, caso seja eleito. ?Acho que ele (Serra) fez muito bem. Deixou claro, para um público determinado, que pretende manter a orientação macro-econômica básica, que vai perseguir as mesmas metas da atual gestão, mas com uma atitude um pouco mais pró-ativa em relação às políticas industrial e comercial?, afirmou. ?A responsabilidade fiscal, as contas públicas controladas e o câmbio flutuante, aliados ao ativismo maior nas áreas industrial e comercial e que vão ajudar a redução forte na taxa de juros. E Serra deixou isso bem claro.?Leia o especial

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