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Argentinos querem reestatizar empresas privatizadas

Cansados da recessão e decepcionados com o governo, os argentinos também estão insatisfeitos com o funcionamento das empresas de serviços públicos privatizadas, que no meio da maior crise econômica da História, pretendem aumentar suas tarifas. Por este motivo, grande parte dos argentinos sonha com a reestatização das empresas privatizadas. Isso é o que indica uma pesquisa da consultora Hugo Haime e Associados, que sustenta que 65% dos argentinos estão a favor da reestatização.Segundo Hugo Haime, na época das privatizações, ao longo dos anos 90, a maioria dos argentinos aprovavam as vendas das empresas estatais, "sempre que isso trouxesse bem-estar. Quando o bem-estar não está, é lógico que as pessoas desconfiam do modelo econômico".Ao longo do governo do ex-presidente Carlos Menem (1989-99), todas as empresas estatais foram privatizadas, com raríssimas exceções, como as usinas atômicas e as decadentes instalações de "Fabricaciones Militares", no passado, uma imensa empresa estatal que fabricava desde bombas até veículos, passando por vagões de bondes.A pesquisa também indica que 60% dos entrevistados afirmam que a Argentina nunca mais teria que pagar sua dívida externa pública. Somente 34% dos argentinos seriam favoráveis ao pagamento.No entanto, para os argentinos, os vínculos com o sistema financeiro internacional não teriam que ser cortados, já que 52% dos pesquisados consideram que para sair da crise é necessário negociar com o Fundo Monetário Internacional (FMI). Apenas 37% afirmam o contrário.Pagamento de dívidasSegundo a Fundação Capital, dezoito grandes empresas argentinas pararam de pagar suas dívidas desde janeiro. No total, estas empresas não conseguiram pagar débitos de US$ 541 milhões, tanto em capital como juros. Os setores mais atingidos são o bancário, com 39% do total dessa dívida; comunicações, com 14,7% dos vencimentos; energia elétrica, com 11,9%; petróleo, 8,2% e gás, 7,5%.A Fundação sustenta que as empresas argentinas que se endividaram no exterior ao longo da maior parte da década passada "hoje se encontram com enormes problemas financeiros e se encontram diante de uma iminente moratória generalizada".InflaçãoDiversos analistas consideram que o país está no caminho de uma disparada da inflação. Segundo Héctor Valle, ex-assessor do ministério da Produção, com o dólar a 2 pesos, a estimativa é que a inflação anual chegue a 40%. Com o dólar a 3 pesos, poderia chegar a 60%. No entanto, Valle considera que poderá chegar a muito mais: "Se ficasse em 60%, seria um sucesso. Mas é muito difícil evitar que ocorra uma espiral inflacionária".Para o ex-ministro da Economia, Roberto Alemann, a pior medida que o governo poderia ter daqui para a frente é a de - no meio de um cenário de desvalorização diária - emitir moeda e implementar uma indexação mensal que fosse automática para preços e salários.

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