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Argentinos sentem raiva diante da situação econômica

"Estou com raiva". Este é o sentimento que mais da metade dos argentinos sente em relação à atual situação econômica, que passa por uma recessão que já dura quatro anos, a mais longa da História do país. Segundo uma pesquisa da consultora Hugo Haime e Associados, 55% dos argentinos estariam com esse sentimento. A pesquisa mostra que 31,1% dos argentinos definiriam seu estado de espírito como "triste e desanimado". Apenas 12,3% dos entrevistados afirmaram ter "esperança".O estudo também revelou que mais da metade dos argentinos estão cansados dos políticos com o perfil tradicional e pretendem que o próximo presidente tenha pré-requisitos diferentes dos que possuíam os anteriores ocupantes do "sillón de Rivadavia", como é conhecida a cadeira presidencial. Segundo a Hugo Haime e Associados, 51,2% dos pesquisados querem "um político honesto que nunca tenha estado no poder".A honestidade e o fato de não ter estado antes no poder tem para os argentinos um peso maior do que o clichê de "um político com capacidade". Esta opção somente agrada 19,4% dos pesquisados. A alternativa de um militar ocupando mais uma vez a Casa Rosada, a sede do governo, fica restrita a 10,8% da população - uma proporção que desde o fim da ditadura militar, há 15 anos, tem se mantido constante, sem exibir sinais de crescimento, mesmo nos momentos mais difíceis do país.Se fossem realizadas eleições hoje, o candidato presidencial com maior proporção de votos seria a deputada Elisa Carrió, do Argentinos por uma República de Iguais (ARI), com 17,1% dos votos.Os candidatos do partido Justicialista (Peronista), como o ex-presidente Adolfo Rodríguez Saá - que governou o país durante uma semana, entre a queda do ex-presidente Fernando De la Rúa e a posse do atual presidente, Eduardo Duhalde - ficaria atrás, com 12,8% dos votos. Outro peronista, o governador da província de Santa Fe e ex-piloto de Fórmula 1, Carlos Reutemann, obteria 12,1%.O ex-presidente Carlos Menem ficaria ainda mais atrás, com 9,7% dos votos, seguido nos calcanhares pelo candidato trotskista Luis Zamora, que ganharia 8,7% dos votos.Outra pesquisa, da Gallup Argentina, indica que oito de cada dez argentinos não se sentem representados nem pelos atuais partidos políticos, e muito menos pelas lideranças destes partidos. No entanto, apesar da falta de representatividade, 57% dos pesquisados afirmaram que possuem grande interesse na definição do novo presidente.

Agencia Estado,

30 de junho de 2002 | 18h37

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