''Argentinos têm razão em reclamar'', diz Jorge

Para ministro, superávit na balança comercial entre os dois países é ?bastante grande? a favor do Brasil, e é necessário buscar o equilíbrio

Eduardo Kattah, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2008 | 00h00

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, disse ontem que os industriais argentinos têm razão em reclamar mais equilíbrio na balança comercial entre os dois países, bastante superavitária para o Brasil. Miguel Jorge também destacou que o objetivo do esforço brasileiro na relação com a nação vizinha é manter em nível elevado o fluxo comercial entre os dois países. "Os argentinos têm razão. Nós temos hoje um superávit favorável ao Brasil de US$ 4 bilhões. Você não tem uma parceria com outro país tendo um superávit desse tamanho. É bastante grande esse superávit. Nós devemos buscar nas relações comerciais o máximo possível de equilíbrio na balança", afirmou o ministro, que se reuniu com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), no Palácio da Liberdade. Miguel Jorge destacou que a Argentina é atualmente um dos principais parceiros comerciais do Brasil. "O importante, além de a gente tentar resolver esse superávit, é mantermos o fluxo comercial entre os dois países. Este ano, por exemplo, nós chegaremos ao fluxo entre os dois países de US$ 30 bilhões." Embora tenha observado que após o "fracasso" das negociações da Rodada Doha na Organização Mundial do Comércio (OMC) - quando Brasil e Argentina adotaram posições divergentes quanto à oferta de abertura de mercado industrial - o governo deve "repensar" suas estratégias de negociações comerciais, Miguel Jorge ressaltou que o Mercosul vai "se manter íntegro". "Talvez essa rodada facilite as negociações que nós temos com outros blocos ou com outros países - bilaterais. Nós temos de procurar agora uma alternativa a Doha", disse o ministro. REFORMAO ministro recebeu do governador mineiro a Grande Medalha da Inconfidência 2008. Aécio aproveitou para cobrar um esforço do governo com o objetivo de aprovar reforma tributária ainda na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva."O período eleitoral não é o adequado para uma discussão dessa profundidade, mas eu sou otimista. Eu acho que nós teremos um momento pós-eleição, portanto, no início do ano que vem, no primeiro semestre do ano que vem, em que, eu acredito, o governo deveria centrar suas forças nesse trabalho, nessa discussão", afirmou Miguel Jorge. "Se o governo tiver disposição política efetiva de construir caminhos e alternativas onde existem hoje ainda impasses, eu acho que é uma proposta viável para ser discutida e aprovada até o meio do ano, até o recesso de julho do ano que vem".

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