Argentinos vão às ruas contra reforma da Previdência

Argentinos vão às ruas contra reforma da Previdência

Protestos contra mudança nas regras de aposentadoria foram os mais violentos dos últimos 16 anos; ao menos 100 pessoas ficaram feridas

Agências Internacionais

18 Dezembro 2017 | 21h43

BUENOS AIRES - Manifestantes e policiais argentinos se enfrentaram de forma violenta na tarde desta segunda-feira, 18, em Buenos Aires, diante do Congresso nacional, onde deputados debatiam a reforma da Previdência, proposta pelo governo do presidente Mauricio Macri. Desde 2001, quando a Argentina mergulhou em uma grave recessão econômica, não se registravam embates tão violentos no país como os desta segunda-feira.

Os choques duraram mais de sete horas e, segundo a agência de notícias Associated Press, pelo menos 100 pessoas – de ambos os lados – ficaram feridas, muitas com fraturas, e foram encaminhadas a hospitais. O canal de notícias TN informou que 48 manifestantes foram presos e, segundo Alberto Crescenti, autoridade de saúde do país, 48 policiais foram feridos.

Enquanto os manifestantes jogaram pedras, garrafas e abriam valas nas ruas, as forças policiais tentaram reprimi-los com bomba de gás lacrimogêneo, balas de borracha e jatos de água. Uma greve geral com duração de 24 horas também foi convocada a partir do meio-dia de segunda-feira.

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Essa foi a segunda vez em que o governo tentou aprovar a lei, que também regulamenta os subsídios sociais. Na quinta-feira passada, a sessão na Câmara dos Deputados foi interrompida por causa dos confrontos. Na ocasião, os manifestantes empunhavam cartazes onde se lia “aqui não é o Brasil”, em referência à relativamente fácil aprovação da reforma trabalhista no vizinho.

Segunda-feira, apesar dos atos de violência, os parlamentares iniciaram a sessão, mas, até o fechamento desta edição, não haviam votado o projeto. O texto já passou pelo Senado.

Texto. O aposentado Hugo Reynoso, de 74 anos, que hoje recebe cerca de R$ 1.300, participou do protesto por temer que sua renda diminua com a aprovação da reforma. “Se aproveitam dos mais fracos para cobrir o déficit do Estado, em vez de cobrar dos mais poderosos. Se perdemos poder aquisitivo, não sei como vou pagar medicamentos e contas de gás e luz”, afirmou.

O governo sugere uma nova fórmula para reajustar o benefício de quem já está aposentado, com aumento trimestral em vez da correção semestral.

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A notícia parece positiva em um país com inflação anual na casa de 24%, mas a nova regra reduz o aumento dos benefícios no curto prazo e tem sido duramente criticada. O texto ainda propõe elevar a idade de aposentadoria de maneira optativa de 65 para 70 anos para os homens e de 60 para 63 anos para as mulheres.

O chefe de gabinete da Presidência, Marcos Peña, afirmou que os aposentados não perderão poder aquisitivo. O governo decidiu impulsionar a agenda de reformas após o partido de Macri, o PRO, sair como grande vencedor das eleições legislativas, realizadas em outubro. 

A reforma é uma das medidas de Macri para tentar reduzir o déficit fiscal, estimado em 5%. A expectativa é que permita uma economia de US$ 5,5 bilhões em 2018, o equivalente a um quinto de déficit. 

As mudanças na aposentadoria deverão causar impactos na vida de 17 milhões de pessoas, de uma população total de 42 milhões. Quase 50% dos aposentados argentinos recebem aproximadamente R$ 1.300 por mês.

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