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E-Investidor: Itaúsa, Petrobras e Via Varejo são as ações queridinhas do brasileiro

Argumentos políticos e emocionais embalam ´efeito tango´

Os alertas que têm dominado o debate eleitoral sobre o risco de o Brasil virar uma Argentina ainda carregam o peso de argumentos muito mais políticos e emocionais do que técnicos. Do lado governista, o argumento implícito é de que uma vitória da oposição e de propostas econômicas menos agradáveis aos olhos do mercado poderiam criar uma espécie de caos institucional e econômico semelhante ao do país vizinho. Do lado da oposição, responde-se que a Argentina sempre seguiu à risca os princípios do modelo neoliberal reunidos na cartilha do FMI e hoje vive uma crise sem precedentes.Tecnicamente, afirmam os analistas, os dois argumentos podem ser utilizados. No entanto, os analistas concordam que, seja qual for o próximo governo, o país terá que promover mudanças, especialmente no campo tributário e previdenciário. Além disso, também dizem que o Brasil poderia virar qualquer país subdesenvolvido do mundo. Para isto acontecer, é suficiente que as futuras gestões de governo cometam equívocos graves.Para que se chegasse ao estágio atual da Argentina, seria necessária uma enorme sucessão de falhas. "Dizer que o Brasil pode virar uma Argentina me parece um tanto exagerado, teria de haver muitos e muitos erros para que isso acontecesse", comenta o economista chefe de um grande banco estrangeiro. "Mas é preciso lembrar que ninguém ainda falou que o País ´vai´ virar uma Argentina com uma eventual vitória da oposição", pondera. Ainda que ambos tenham fragilidades fiscais e um elevado nível de endividamento público - aqui mais interno, lá mais externo - os analistas sublinham ainda que há uma diferença fundamental nos antecedentes econômicos dos dois países: o regime de câmbio. Risco BrasilHá pontos, no entanto, que na visão do mercado financeiro podem remontar em algum grau a semelhanças entre os rumos do Brasil e da Argentina. Ainda que no extremo dos cenários negativos, começa a ser aventada a possibilidade de uma eventual vitória da oposição elevar o grau de incertezas sobre o País a ponto de comprometer variáveis macroeconômicas. Em parte pelo fato de que algumas dessas variáveis, como a fiscal, herdarão da atual gestão de governo uma estrutura frágil - e o próprio governo reconhece isso.Em parte pelo natural temor do mercado diante de uma gestão de governo que não se sabe exatamente qual rumo seguirá. Um dos exemplos mais citados pelos analistas ouvidos pela Agência Estado está no efeito das eleições sobre o risco Brasil. É fato conhecido que o elevado risco atual, em torno dos 950 pontos base pelo índice EMBI, do J.P. Morgan, não embute a possibilidade real de um candidato oposicionista vencer a disputa pelo Planalto. Algumas análises dão conta de que uma vitória do PT nas eleições, por exemplo, elevaria esse risco para algo entre 1.100 a 1.300 pontos base. Aparentemente sem maiores fundamentos técnicos, as análises fazem sentido do ponto de vista da percepção ainda bastante negativa que o mercado tem sobre uma eventual gestão petista. "É claro que há um discurso mais moderado, mas como acreditar realmente nesse novo discurso se há três meses o partido pregava, em documento formal, uma ´ruptura necessária´ com a atual política econômica?", questiona o economista de outro grande banco."Diante de um cenário de risco elevado, qual seria a reação de um governo da oposição nas ocasiões de rolagem da dívida, com a possibilidade de o mercado pedir prêmios substancialmente mais elevados?", acrescenta. É aqui que entra uma possível relação com a Argentina: na visão de alguns analistas - ainda no rol dos cenários extremos - um cenário de risco nas alturas poderia levar o governo a uma reestruturação voluntária da dívida. Dependendo do grau de pressão, num cenário ainda mais extremo, a uma reestruturação involuntária.Cenários exageradosPara outra ala de economistas, dado o maior peso da dívida pública interna no bolo total (ao contrário da Argentina, onde o maior peso é da dívida externa), um cenário de risco elevado poderia levar ao aumento da emissão de moeda para solucionar a questão da dívida e, consequentemente, ao aumento da inflação.Boa parte dos analistas se defende do fato de o mercado exagerar ao especular cenários catastróficos diante das eleições. "É função dos analistas do mercado projetar cenários possíveis e eles nem sempre são bons. Quem fizesse o cenário mais pessimista sobre a Argentina há um ano atrás não chegaria nem perto do cenário que o país vive hoje", comenta um conhecido economista do mercado.Lembram também que há uma dinâmica - admitem perversa - na natureza de profecias auto-realizáveis dos agentes financeiros, sobretudo em economias com elevado grau de vulnerabilidade como a brasileira. "Independente de acreditar ou não nas análises, se o mercado adota uma linha e precifica os ativos de acordo com ela, dificilmente você não é obrigado a ir atrás. Se não for, pode quebrar a cara", diz o mesmo economista, referindo-se ao conhecido efeito de manada que tem caracterizado boa parte dos movimentos financeiros nos últimos anos.A maneira de evitar ou suavizar a possibilidade de as expectativas do mercado criarem pressão adicional para uma eventual gestão da oposição, estaria em "uma maior explicitação, de maneira formal, sobre o que a oposição pretende fazer com a política econômica", "qual será o time que substituirá o atual", "de que maneira resolverão o problema da Previdência", "qual será a ´flexibilidade´ para as metas de inflação", e, sobretudo, "o que quer dizer o Lula quando fala em negociar melhores condições para os contratos de dívida do Brasil?". Não se trata de afirmação do ministro Pedro Malan, mas de um resumo de sugestões dos analistas do mercado.Leia o especial

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