Nilton Fukuda|Estadão
Nilton Fukuda|Estadão

Arida tenta acalmar clientes do BTG

Em carta enviada aos clientes, presidente interino diz que o banco não é alvo de investigação e avalia as acusações contra André Esteves

Fernanda Guimarães, Karla Sportono, Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2015 | 00h01

Em carta enviada nesta sexta-feira, 27, a seus clientes, o presidente interino do BTG Pactual, Persio Arida, que o banco não é alvo de nenhuma investigação ou acusação. Arida disse que o BTG está estabelecendo, junto com os membros independentes do conselho de administração, uma avaliação dos fatos envolvendo as acusações que foram feitas contra André Esteves, presidente do BTG, com o objetivo de que essas questões “sejam esclarecidas o mais rapidamente possível”.

Na quarta-feira, Esteves foi preso preventivamente na Operação Lava Jato, que investiga corrupção na Petrobrás, assim como o senador Delcídio Amaral (PT-MS). No mesmo dia, Persio, sócio-fundador e conselheiro do BTG, foi nomeado como presidente interino da instituição.

Arida pretende, na carta, tranquilizar os clientes e o mercado, passando a mensagem de que o BTG está colaborando com as autoridades brasileiras na condução do inquérito. “Estamos mantendo contato proativo com os reguladores em todos os países onde estamos presentes. Ainda lançamos um programa de recompra”, disse no documento. O programa de recompra de ações pela tesouraria do banco foi anunciado no dia da prisão de Esteves e tem sido feita em Bolsa, disse uma fonte próxima ao banco ao Estado, sem detalhar a operação.

Nesta sexta-feira, as ações do BTG voltaram a cair, encerrando em baixa de 3,59%. Na semana, os papéis acumulam queda de 23%. Outros bancos listados na Bolsa também foram contaminados. As ações preferenciais (PN) do Bradesco caíram 3,67%; o Itaú registrou queda de 2,65%; os papéis ordinários (ON) do Banco do Brasil tiveram baixa de 3,14% e do Santander queda de 5,67%. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) abriu processo administrativo para analisar informações do BTG.

Saída. Fontes de mercado ouvidas pelo Estado afirmaram que a solução “menos tóxica” para o banco seria a saída de André Esteves da gestão e do próprio banco. “O BTG é sustentado por três pilares: trading (negociação de commodities), gestão de fundos e pelo braço de banco de investimento. Tirando o primeiro pilar, os outros dois já foram comprometidos com a prisão do seu principal gestor”, disse uma fonte.

A alternativa de que os principais sócios do banco, entre eles o próprio Persio Arida, Marcelo Kalim e Roberto Sallouti, comprem a fatia de Esteves tem sido aventada pelo mercado. “Independentemente da estrutura acionária de Esteves (controlador e detentor da maioria das ações), se for condenado, não poderá exercer esse cargo.”

Fontes ligadas ao banco descartam que os sócios estejam articulando a saída de Esteves. Na carta aos clientes, Arida ressalta esse tema: “O mais importante, contudo, é que nossa partnership (sociedade) permanece intacta. Mais de 80% das ações do BTG é detida pela partnership. Este grupo tem mais de duas centenas de pessoas unidas em torno dessa sociedade, que reflete uma cultura profundamente enraizada e um conjunto de valores forjados ao BTG Pactual em sua história de 32 anos.”

Clientes. Fontes ouvidas pelo Estado afirmaram que pelo menos quatro bancos de investimentos, entre eles, Credit Suisse, Itaú, JP Morgan e BR Partners, começaram a mapear as operações em andamento de fusões e aquisições do banco para fisgar esses clientes. Procurados, Itaú, Credit Suisse e BR Partners não comentam o assunto. O JP Morgan não retornou os pedidos de entrevista.

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