Armínio diz que as condições para o Brasil crescer estão dadas

Colocado no centro da atenção pela declaração do candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, que excluiu a hipótese de sua permanência na presidência do Banco Central, Armínio Fraga procurou neste domingo tranquilizar os credores internacionais sobre o rumo da política econômica de um governo comandando pelo principal líder da oposição. "Com políticas sólidas, as condições estão dadas para o Brasil crescer a taxas de 4,5%, 5% ao ano e evitar um caminho acidentado", afirmou em reunião organizada pelo Instituto de Finanças Internacionais, num hotel de Washington. "Eu não vejo nenhuma tendência no Brasil de as pessoas se jogarem pela janela e fazerem coisas estúpidas".Sem se referir diretamente a Lula, o presidente do BC disse em entrevista antes do discurso que o que a comunidade financeira espera do sucessor do presidente Fernando Henrique Cardoso é que "ele comece a confirmar na prática" o compromisso de seguir as premissas básicas da atual política econômica - inflação controlada, saldo fiscal primário de 3,75% e respeito aos contratos -, assumido de forma genérica por todos os candidatos ao Planalto no mês passado, quando o governo fechou um acordo de US$ 30 bilhões com o FMI para financiar a transição. "Mas o nosso destino depende de nós" e não do FMI, disse.O fato de o FMI ter dado US$ 30 bilhões em 15 meses ao Brasil, o maior da história considerando o prazo de desembolso, torna o papel do Fundo importante, afirmou. "Mas a pergunta é: por que (o FMI concedeu o empréstimo)?; porque enxerga que existem condições de se superar essa situação que nós vivemos hoje com um custo social mínimo, em função de todo o trabalho que foi feito ao longo dos anos - e isso, para nós, é o que importa".Ecoando declarações do ministro da Fazenda, Pedro Malan, o presidente do BC disse que "se espera do presidente eleito, quem quer que seja, uma postura voltada desde já para a sua futura administração, a partir de janeiro, o que é um pouco diferente do calor do debate da campanha, onde as coisas em geral tendem a ser menos voltadas para a administração da vida pública do País", disse Armínio. "Temos uma história de caminhos mal escolhidos, de planos exóticos, mas eu tenho absoluta confiança de que vamos insistir no caminho do bom senso da transparência, da responsabilidade e que isso vai dar certo, apesar desse clima tenso que hoje nós vivemos".As palavras têm peso e o que os candidatos disseram no passado remoto e recente foi registrado e criou percepções entre os credores, afirmou. "A história existe, ninguém passa a borracha na história". Para ele, o novo presidente "vai ter uma oportunidade, assim que eleito de se comunicar com a nação, de dar o seu recado e isso vai ajudar a trazer tranqüilidade".Para ele, o recado não é apenas para o mercado de câmbio ou o mercado de dívida externa. "Coloque-se na cabeça de um empresário que está pensando em construir uma fábrica nova no Brasil; será que ele vai construir essa fábrica hoje, será que ele vai esperar algumas semanas, alguns meses?". O presidente do BC afirmou que "há muita gente que, diante de um quadro incerto, vai postergando decisões; isso faz com que a economia tenha um desempenho modesto, com menos possibilidades de crescimento, de emprego - e é disso que estamos falando, acima de tudo".

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