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Arminio pede cautela com o País

Para ex-presidente do BC, é preciso ser cuidadoso, pois o Brasil corre riscos no longo prazo

Nalu Fernandes, O Estadao de S.Paulo

24 de julho de 2007 | 00h00

Ao otimismo predominante no mercado financeiro brasileiro contrapõe-se uma avaliação de cautela relacionada ao longo prazo. Este é o cenário apresentado pelo ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga a investidores, em Nova York.Atualmente, ''''o Brasil vive um boom inacreditável no mercado financeiro''''. ''''A nova onda de investimento é excitante'''', afirmou Arminio Fraga, em evento da Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos. ''''É preciso ser cuidadoso para não ficar muito animado.''''No médio prazo, Arminio Fraga afirma não ver riscos no horizonte, mas acredita que eles podem existir no longo prazo. ''''O crescimento médio nos últimos anos, apesar do bom ambiente internacional, tem sido baixo. Fazer negócios no Brasil ainda é difícil'''', disse o ex-presidente do Banco Central.O economista também ressaltou para a platéia que ''''as leis trabalhistas são um problema, nossa infra-estrutura está atrás da curva, há risco de falta de energia elétrica nos próximos anos e o sistema de tráfego aéreo é uma bagunça''''.Arminio Fraga ainda classificou como ''''um problema muito sério'''' o nível dos gastos do governo federal e disse que o setor merece atenção. Ele reconhece que os riscos enumerados não são ''''imediatos'''', mas reiterou que ''''há riscos no longo prazo e nós não podemos ignorá-los''''.Fundador do Gávea Investimentos, Arminio destacou a contribuição dos recursos vindos de ''''private equity'''' (investimento em valores mobiliários de empresas com potencial de crescimento capaz de gerar retornos acima da média de mercado) neste bom momento vivido pelo mercado financeiro doméstico. Estabilização macroeconômica, pondera, é o que permitiu o desenvolvimento do mercado de capitais no País.''''É a boa notícia das expectativas de inflação em 4%'''', avalia. Para ele, ''''se o Brasil mantiver boas políticas, deve tornar-se grau de investimento nos próximos anos''''. Segundo Arminio Fraga, grande parte do mercado prevê que o grau de investimento pode chegar em 2008 e ele reconhece que ''''o País já se beneficia da aproximação do investment grade''''.O ex-presidente do BC citou mais um aspecto que afeta a relação ''''risco e retorno'''' aos olhos dos investidores: política. Neste front, Arminio avalia que há ''''frustração, raiva e uma falta de confiança parece estar no ar''''. ''''Se você vive no Brasil e lê jornal diariamente, verá que há uma série de escândalos.''''Com relação à crise no mercado de hipotecas subprime nos Estados Unidos, o economista vê o fato como uma sinalização aos investidores de que existe risco no sistema. Segundo Arminio Fraga, tantos anos de economia global forte ''''podem levar à sensação de que não existe risco ou reversões, ainda que temporárias, bem como a investimentos mal avaliados''''.De acordo com Arminio, há muito menos vulnerabilidade nos mercados emergentes, que ''''adotaram políticas macro (responsáveis) e câmbio flutuante''''. O Brasil, acrescenta, ''''está bastante bem no momento e, também, tem política macro resistente, flexibilidade cambial e sistema financeiro saudável''''.Ele acrescenta que a estabilização conquistada no ambiente macro ''''alongou o horizonte de investimento'''' no País, ao mesmo tempo em que o gerenciamento da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no mercado doméstico e a criação do novo mercado também entusiasmam os investidores.Sobre a abertura de capital do fundo Gávea Investimentos, do qual é fundador, Arminio Fraga afirmou que, ''''no momento, estamos bem capitalizados''''. ''''Avaliamos se faz sentido ou não abrir (o capital)'''', completou.FRASESArminio FragaEx-presidente do BC"O Brasil vive um boom inacreditável no mercado financeiro. A nova onda de investimento é excitante" "É preciso ser cuidadoso para não ficar muito animado""O crescimento médio nos últimos anos, apesar do bom ambiente internacional, tem sido baixo. Fazer negócios no Brasil ainda é difícil""As leis trabalhistas são um problema, nossa infra-estrutura está atrás da curva, há risco de falta de energia elétrica nos próximos anos e o sistema de tráfego aéreo é uma bagunça"

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