Arquiteto projeta fazendas urbanas para as cidades do futuro

Para combater degradação das grandes cidades, arquiteto belga Vincent Callebaut propõe alternativa de condomínios autossuficientes em energia com espaço para o agronegócio

Economia & Negócios,

29 de janeiro de 2014 | 15h25

SÃO PAULO - A degradação da qualidade de vida nas grandes cidades preocupa especialistas do mundo inteiro, e encontrar soluções para as cidades do futuro é o grande desafio dos arquitetos e urbanistas.

Uma das alternativas que vem ganhando espaço são as fazendas urbanas, edifícios que misturam os espaços dos condomínios convencionais com amplas áreas verdes e até para a produção agrícola.

O arquiteto belga Vincent Callebaut, de 36 anos, defende esta opção para garantir um futuro mais saudável nas áreas urbanas, tendo em vista que cerca de seis bilhões de pessoas que viverão em cidades até o ano 2050.

Com a crescente escassez de fontes de alimentos, água e energia, ele defende que os condomínios habitacionais das cidades do futuro terão de ser autossuficientes, funcionando  como organismos vivos, resgatando espaços para a natureza e agricultura.

Os edifícios, segundo ele, precisam garantir a produção da sua própria energia, se possível tornando-se autossuficiente.

 

Libélula gigante. Um dos projetos do arquiteto é o do 'Dragonfly', um edifício com duas torres que formam uma grande fazenda vertical em Roosevelt Island, em Nova York. O nome da construção vem da sua forma, que lembra uma asa grande de vidro igual ao de uma libélula gigante.

O projeto tem estrutura para a produção de gado, laticínios, granjas, pomares e até campos de arroz, juntamente com escritórios e apartamentos, jardins e amplos espaços de lazer.

O projeto prevê geração de energia solar e eólica, e o ar quente é retido no interior das 'asas' para garantir aquecimento no inverno. No verão, a ventilação natural é reforçada com a umidade das plantas. A água da chuva é retida e misturada com fertilizantes orgânicos para alimentar a vegetação.

Ficção. Inicialmente, muitos criticaram o arquiteto e ironizaram sua criação como obra de ficção científica. Mas suas ideias estão ganhando força e o projeto da fazenda urbana foi exposto em uma feira internacional na China.

Callebaut também projetou uma cidade flutuante para abrigar refugiados vítimas de mudanças climáticas. Até agora, o arquiteto das cidades do futuro ainda não encontrou compradores para esses grandes projetos.

Mas ele já inspira projetos menores baseados no mesmo conceito, como o do edifício Fazenda Urbana Pasona, em Tóquio, um prédio de escritórios de nove andares que reserva espaço para os funcionários cultivarem seus próprios alimentos em espaços verdes em todos os andares.

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