Arrecadação cairá, mas crise não causará recessão, diz Mantega

Ministro da Fazenda recomenda aos prefeitos que monitorem suas contas com maior atenção neste momento

Fabio Graner e Leonardo Goy, da Agência Estado,

30 Outubro 2008 | 13h16

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira, 30, que o impacto da crise internacional no Brasil pode levar a uma queda na arrecadação de impostos do governo federal. Mas ele disse que o governo trabalha com um cenário de desaceleração da economia, que deve provocar uma redução no ritmo de crescimento das receitas. "Acredito que haverá desaceleração. Nós já desejávamos que houvesse uma desaceleração da economia, certamente isso vai acontecer, mas não há ponto de desequilibrar nossas finanças", afirmou. O ministro informou, porém, que até o momento a arrecadação não foi afetada pela crise. "Mas não teremos recessão no Brasil", previu.   Veja também: Crédito para empresas já começa a se regularizar, diz Meirelles Senador ataca 'supergênios' e critica uso de MPs contra crise Crise financeira é sistêmica e ninguém escapará, diz Mantega Veja os reflexos da crise financeira em todo o mundo Veja os primeiros indicadores da crise financeira no Brasil Lições de 29 Como o mundo reage à crise  Entenda a disparada do dólar e seus efeitos Especialistas dão dicas de como agir no meio da crise Dicionário da crise    Mantega explicou que as eventuais perdas de receitas do governo federal impactam as contas de Estados e municípios. Ele recomendou aos prefeitos que monitorem suas contas com maior atenção neste momento, mas defendeu que mantenham os investimentos.   O ministro ressaltou que o governo tem se preocupado em manter as contas públicas em ordem, fazendo com que os gastos de custeio cresçam menos do que do PIB nominal e também significativamente menos do que os investimentos. Ele ressaltou que o governo está fazendo um esforço extra de R$ 14,5 bilhões, que serão destinados ao Fundo Soberano do Brasil (FSB), que é "uma poupança para o futuro". "Nós já estamos tomando precauções e devemos fechar o ano com as contas fiscais prontas para enfrentar situação fiscal adversa", afirmou.   Em relação à desaceleração econômica, Mantega destacou que o governo está trabalhando para evitar uma perda significativa no ritmo da atividade. Mas ressaltou que uma diminuição no ritmo de crescimento é desejável. Nesse sentido, ele afirmou que o crédito não precisa crescer a um ritmo de 30% como vem ocorrendo este ano. "Em vez de crescer 30%, uma expansão de 10%, 15% do crédito, já é suficiente para viabilizar um nível de atividade satisfatório", afirmou.   Ele disse ainda que o governo mantém suas projeções para o desempenho da economia brasileira em 2009 e que é importante aguardar para revisar os números, mesmo porque a fase mais aguda da crise parece estar se dissipando. O ministro descartou a possibilidade de uma recessão no País. Ele também ressaltou que, até agora, a atividade econômica no Brasil não caiu. "O consumo está em patamar elevado, mas acredito que irá cair. Mas não teremos recessão no Brasil", disse. Mantega reconheceu a importância da crise, mas disse que no País o quadro não é grave.   Agricultura   Mantega informou também na Comissão de Assuntos Econõmicos (CAE) que o governo tomará novas medidas para garantir a comercialização da safra agrícola. Em resposta a uma pergunta do senador João Tenório, o ministro disse que o governo tem preocupação com a agricultura e já adotou uma série de medidas para ampliar o crédito ao setor neste momento de início da safra 2008-2009.   o ministro disse que o Banco do Brasil já antecipou R$ 5 bilhões de crédito e listou outras medidas para o setor. Lembrou que hoje o Conselho Monetário Nacional (CMN) adotará medida já anunciada, aumentando a exibilidade da poupança rural de 65% para 70%. Disse que ontem conversou com o presidente do Banco do Brasil, Antonio Lima Neto, e este lhe informou que o BB, maior financiador da agricultura, já liberou 25% a mais de crédito agrícola do que o previsto.

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