Arrecadação do Fisco supera estimativa do mercado

A arrecadação no mês de janeiro superou as projeções do mercado financeiro para o período. De acordo com os dados divulgados hoje pela Receita Federal, a arrecadação ficou em R$ 17,369 bi, recorde para o mês de janeiro, enquanto a média das projeções do mercado oscilava numa faixa entre R$ 14,5 bi e 16 bi. Para o mercado, os números da arrecadação confirmam o aquecimento da economia doméstica neste começo de ano, já apontado em outros indicadores recentes, como o nível de produção industrial para dezembro, o crescimento das médias diárias de importação e os índices de vendas. Economistas ouvidos pela Agência Estado afirmam que ainda é cedo, no entanto, para alterar para cima as projeções de crescimento do PIB no ano. "Não há dúvidas de que a economia vem crescendo a níveis robustos, mas ainda é muito cedo para uma conclusão definitiva, como por exemplo afirmar que está havendo um superaquecimento", avalia o economista chefe do J.P. Morgan, Marcelo Carvalho. Sonegadores - De acordo com o secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, boa parte do incremento da arrecadação em janeiro vem dos instrumentos de combate à sonegação fiscal que a Receita está implementando, caso do cruzamento das declarações de Imposto de Renda com a CPMF e a quebra do sigilo bancário. A tese divide o mercado. Há um certo ceticismo em aceitar a explicação da Receita. Até porque existe a possibilidade do aumento de 45% para a Contribuição sobre Lucro Líquido (CFLL), por exemplo, estar relacionada a um pagamento pontual de alguma empresa ou banco. "É difícil atribuir esses dados às explicações da Receita", comenta o economista chefe do Santander, André Lóes. Ele destaca que um dos pontos altos dos números divulgados hoje está no fato de que não houve incremento nas receitas não administradas, ou seja, não há algo de extraordinário a influenciar o resultado. Lembra ainda que o bom resultado de janeiro será importante para as contas do Tesouro no mês, dado que mais da metade da liberação dos R$ 3,2 bi contingenciados no Orçamento do ano passado deverá impactar os cofres do Tesouro neste mês, aumentando o volume das despesas do governo.

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