Rafael Neddemeyeri/Fotos Públicas
Rafael Neddemeyeri/Fotos Públicas

Arrecadação perde fôlego com greve de caminhoneiros e soma R$ 110,8 bi

Alta de 2% em junho foi menor que a de maio, de 5,7%, e reflete perdas com o IPI; sem royalties do petróleo e Refis resultado seria pior

Lorenna Rodrigues e Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

24 Julho 2018 | 11h09

BRASÍLIA -Dois meses após caminhoneiros paralisarem o transporte de cargas em todo o País, a greve continua trazendo notícias ruins para a economia. O movimento impactou a produção e o faturamento das indústrias e, em consequência, levou a arrecadação de tributos e contribuições federais no mês de junho a ter uma alta bem mais contida – aumento real de 2% ante os 5,7% registrados em maio.

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No mês passado, o governo federal arrecadou R$ 110,8 bilhões. Nos primeiro semestre, o montante chegou a R$ 725,4 bilhões, já corrigidos pelo IPCA, com alta real de 6,9%, abaixo do patamar visto nos meses anteriores – de janeiro a maio foi de 7,8% e de janeiro a abril, de 8,3%.

Não fossem royalties e receitas não recorrentes, como as de programas como o Refis, a arrecadação teria caído 0,5% no mês passado. Em junho, as receitas não administradas pelo Fisco, compostas principalmente por royalties de petróleo, cresceram 46,7%, somando R$ 2,7 bilhões. A alta se deu pelo aumento no preço do petróleo e pela desvalorização do real. 

O impacto da paralisação foi sentido principalmente na arrecadação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que caiu 14,3% em junho. “A greve dos caminhoneiros afetou duramente a atividade industrial e também houve impacto nas vendas de bens. Grande parte dos tributos recolhidos em junho tem seus fatos geradores em maio”, explicou o chefe de Estudos Tributários da Receita Federal, Claudemir Malaquias

A paralisação e a expectativa de uma atividade econômica mais lenta em 2018 também contribuíram para desacelerar o recolhimento do Imposto de Renda e da Contribuição sobre o Lucro Líquido (CSLL) das empresas. O pagamento por estimativa mensal (modalidade das empresas com maior faturamento) cresceu 12%, mas havia subido o dobro o mês anterior.

“Ainda veremos parte dos efeitos da greve dos caminhoneiros na arrecadação de outros meses, mas é possível que parte desse impacto seja recuperada até o fim do ano, a depender do desempenho das empresas. Cada setor vai se recuperar em um ritmo diferente”, completou Malaquias. 

Rendimentos. Além da influência da greve, em junho as receitas com o Imposto de Renda Pessoa Física sobre rendimentos de capital caíram 27,9% devido à redução na taxa de juros no último ano, que reduziu o lucro dos investidores.

No primeiro semestre, o recolhimento desse tributo caiu 16,4%. O recolhimento de PIS/Cofins, que incide sobre o faturamento das empresas, subiu 12,6%, enquanto o do IRPJ/CSLL cresceu 5,3%.

Para o economista-chefe da Infinity Asset Management, Jason Vieira, o resultado da arrecadação do mês passado foi bom, mesmo com a greve. “Já temos visto alguns indicadores de julho com resultados mais favoráveis”, disse.

O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, acha que a desaceleração na arrecadação e a piora em outros indicadores trazem risco para o cumprimento da meta fiscal deste ano, que admite déficit de R$ 161,3 bilhões. “Os sinais são preocupantes. A cada indicador, vemos piora das condições.”/COLABOROU MARIA REGINA SILVA

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