Felipe Siqueira/Estadão
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Arrecadação desacelera em novembro, mas tem o maior patamar para o mês em 7 anos

Recolhimento de impostos e contribuições federais somou R$ 157,34 bilhões em novembro, com queda de 12,8% sobre o resultado de outubro

Eduardo Rodrigues, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2021 | 14h51
Atualizado 21 de dezembro de 2021 | 17h21

BRASÍLIA - Com o arrefecimento do ritmo de recuperação da economia, a arrecadação de impostos e contribuições federais desacelerou e somou R$ 157,340 bilhões em novembro. O resultado representa um aumento real (descontada a inflação) de apenas 1,41%  na comparação com o mesmo mês de 2020.

Em relação a outubro deste ano, houve queda real de 12,80% no recolhimento de impostos. Ainda assim, o valor arrecadado no mês passado foi o maior para meses de novembro desde 2014, quando as receitas somaram R$ 157,565 bilhões em valores corrigidos pelo IPCA, o índice oficial da inflação.

No acumulado do ano até novembro, a arrecadação federal somou R$ 1,684 trilhão, o maior volume para o período da série iniciada em 1995. O montante ainda representa um avanço real de 18,13% na comparação com os primeiros onze meses do ano passado. O ritmo é menor que o crescimento real de 20% apurado no acumulado do ano até outubro. Em julho, o crescimento nessa comparação chegou ao pico de 26,11%.

O chefe do Centro de Estudos Tributários e Aduaneiros da Receita Federal, Claudemir Malaquias, enfatizou que o menor crescimento da arrecadação em novembro se deve à maior base de comparação em novembro do ano passado, quando foram recolhidos também os pagamentos adiados na crise referentes ao PIS/Cofins e à contribuição patronal para a Previdência - que deveriam ter sido feitos em agosto de 2020.

“Em novembro de 2020, recebemos dois períodos de apuração. Por isso, o desempenho da arrecadação de novembro foi extraordinário, já que superou a arrecadação de dois meses de 2020 – agosto e novembro. Pela ótica da arrecadação, a retomada da economia não perdeu força”, argumentou.

A Receita Federal destacou o crescimento real de 12% na arrecadação do Imposto de Renda de Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) na comparação com novembro de 2020, incluindo R$ 3 bilhões em receitas atípicas.

O economista e sócio da Pezco, Helcio Takeda, considera que a alta do IRPJ estaria associada aos rendimentos de capitais. “O aumento do IRPJ em novembro também reflete a recomposição do lucro das empresas em 2021”, completou.

O órgão apontou ainda que a elevação das alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) no crédito a partir de outubro levou a um aumento de R$ 1,2 bilhão na arrecadação do tributo em novembro. No mês passado, também houve o recolhimento de parcelas diferidas do Simples Nacional. / COLABOROU FRANCISCO CARLOS DE ASSIS

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