Felipe Siqueira/Estadão
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Arrecadação tem alta de 35,5% em julho e soma o recorde de R$ 171,3 bi, diz Receita

Resultado foi o maior para o mês desde o início da série história, em 1995; no acumulado do ano, o valor arrecadado somou R$ 1,053 trilhão

Lorenna Rodrigues e Thaís Barcellos, O Estado de S.Paulo

25 de agosto de 2021 | 12h21
Atualizado 25 de agosto de 2021 | 14h58

BRASÍLIA - A arrecadação de impostos, contribuições e demais receitas federais atingiu R$ 171,270 bilhões em julho, informou a Secretaria Receita Federal nesta quarta-feira, 25.

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, quando a arrecadação foi de R$ 137,169 bilhões (valor já corrigido pela inflação), houve aumento real de 35,47%.

A arrecadação é recorde para meses de julho na série histórica da Receita, que tem início em 1995 e é atualizada pela inflação.

O resultado das receitas veio um pouco abaixo da maioria dos economistas ouvidos pelo Projeções Broadcast, que projetava ingresso de R$ 157,850 bilhões.

No acumulado do ano até julho, a arrecadação federal somou R$ 1,053 trilhão, também o maior volume para o período da série histórica. O montante representa um avanço real de 26,11% na comparação com os sete primeiros meses do ano passado.

Em valores corrigidos pela inflação, totalizou R$ 1,076 trilhão (novo recorde), o que representa alta real de 26,11% na comparação com o mesmo período do ano passado (R$ 853,8 bilhões). Segundo a Receita, a alta da arrecadação neste ano pode ser explicada, principalmente, pelos fatores não recorrentes, como recolhimentos extraordinários de 24 bilhões do IRPJ/CSLL na parcial deste ano, contra R$ 2,8 bilhões no mesmo período do ano anterior.

Para o ministro da Economia, Paulo Guedes, a arrecadação forte significa que o País está com uma retomada vigorosa. O ministro respondeu as críticas em relação ao efeito da inflação sobre a receita, destacando que o resultado de janeiro a julho mostra crescimento de 25% ante o ano passado já descontado o IPCA do período. “Há efeito da inflação, mas há inequívoco vigoroso crescimento econômico.”

Guedes ainda destacou que, à exceção de janeiro e junho, todos os resultados mensais este ano foram recordes para a série histórica, já desconsiderando a inflação. “Resultado de julho é o terceiro melhor resultado para todos os meses da história.”

O ministro citou que os dados reforçam os fundamentos fiscais. “Muitos negacionistas negam que a retomada que já existia em 2020.” Guedes também mencionou que os destaques positivos foram PIS/Cofins, os impostos para pessoas jurídica e de Previdência em julho. “Previdência arrecadando em recorde mostra que estamos gerando empregos em alta velocidade.”

Segundo ele, os números parciais mostram que a arrecadação deve ficar R$ 270 bilhões acima do estimado inicialmente para 2021. O ministro afirmou ser possível abrir mão de "excesso de arrecadação" em momento de retomada da economia para promover "melhorias técnicas" no sistema tributário brasileiro, como instituição de um IVA (imposto sobre valor agregado), redução do IR das empresas e instituição de tributação sobre lucros e dividendos.

"O Estado não só gasta mal, como tributa muito e tributa mal, fica em cima de impostos indiretos, que são regressivos, ao invés de ir para impostos diretos, e dentro deles sobre rendimento de capital. O regime tributário brasileiro é uma fábrica de privilégios e desigualdades", acrescentou.

“Para o governo é confortável ficar parado, se aproveitar do aumento da arrecadação, e possivelmente fazer superávit no ano que vem”, disse, defendendo que o momento atual, de surpresa com a receita tributária, é propício a uma reforma. Segundo o ministro, o sistema tributário brasileiro é uma "máquina de desigualdades", pois grande parte é formada por impostos indiretos, regressivos (ou seja, penalizam mais os pobres), e os impostos sobre a renda focam no capital produtivo, com alíquota elevada, mas isentam os ganhos de capital.

 

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