Arrecadação tributária pode cair 25% na Argentina

Dados preliminares da Receita Federal da Argentina indicam que a arrecadação tributária despencará 25% em fevereiro. Se este índice se concretizar, o Tesouro argentino obterá 2,823 bilhões de pesos (US$ 1 4 bilhão). Em fevereiro do ano passado, a arrecadação foi de 3,764 bilhões de pesos (US$ 1,85 bilhão).Com os dados da primeira quinzena deste mês, a Administração Federal de Receitas Públicas (AFIP) prevê que a arrecadação do Imposto de Valor Agregado (IVA) cairá 25%. Este tributo é o principal termômetro para verificar a saúde do consumo dos argentinos.Com uma nova queda na arrecadação tributária, que desde março do ano passado registra sem cessar quedas de dois dígitos, o governo poderia ter complicações para pagar os salários dos funcionários públicos. O vice-ministro da Economia, Jorge Todesca, admitiu que por causa da queda da arrecadação "talvez" seja necessário pagar esses salários "de forma escalonada".Para reativar o consumo dos argentinos, o governo do presidente Eduardo Duhalde começou nesta segunda-feira uma nova etapa para amenizar o "corralito", o semi-congelamento de depósitos bancários. A medida consiste na liberação dos prazos fixos ? que estavam imobilizados - para a compra de imóveis e automóveis. Neste caso, o comprador poderá transferir parte do certificado de prazo fixo para o vendedor. Mas nenhum dos dois lados verá o dinheiro em espécie, já que quando o vendedor o receber, ficará semi-imobilizado dentro do "corralito". Diversos analistas consideram que ocorrerão poucas operações de venda utilizando esta modalidade, já que o vendedor preferirá esperar uma abertura mais ampla do "corralito", para obter o dinheiro em espécie.Com estas restrições, também serão liberados os prazos fixos que estavam em dólares. No entanto, a conversão obrigatória a pesos implica em que a cotação seja de US$ 1,00 para 1,40 peso. Esta quantia é significativamente inferior à cotação atual da moeda americana, que oscila acima de 2,00 pesos. Segundo o presidente Duhalde, "a cada mês o governo anunciará uma ou duas medidas" para amenizar o "corralito".Mas os argentinos com depósitos imobilizados não pretendem esperar. Como todas as segundas, quartas e sextas-feiras, centenas de pessoas marcharam hoje pelo centro de Buenos Aires protestando contra o "corralito". Os correntistas atingidos manifestaram-se tocando apitos e batendo panelas.Além dos protestos, a população também recorre à Justiça para conseguir resgatar os depósitos. Hoje, o juiz Martín Silva Garretón afirmou que os apelos encaminhados à Justiça desde o início do ano já chegam a 60 mil. Esta quantia é superior a todos os processos encaminhados no ano passado na área econômica e administrativa, que foi de 32 mil casos.Leia o especial

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