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Artigo: Crise de crédito põe financiadora em perigo

Dezenas de financiadoras imobiliárias entraram em colapso graças ao calote em empréstimos concedidos a pessoas com crédito ruim

E. Scott Reckard e Annette Haddad, do Los Angeles Times,

17 de agosto de 2007 | 17h32

Angelo Mozilo, executivo-chefe da Countrywide Financial Corp., gosta de dizer que a companhia se transformou na maior financiadora imobiliária dos Estados Unidos por ser mais esperta que as concorrentes. Em declarações a analistas de Wall Street no início do ano, o combativo Mozilo denunciou as empresas novas por oferecer empréstimos demais, com facilidade demais, a pessoas demais com histórico de crédito ruim, dívidas pesadas e renda limitada. "Faço isso há 53 anos e nunca vi alguém conseguir sustentar essa situação", disse Mozilo, que em 1969 participou da fundação da Countrywide, sediada em Calabasas. "Eles acabam tropeçando." De fato, dezenas de financiadoras imobiliárias entraram em colapso graças ao calote em empréstimos concedidos a pessoas com crédito ruim durante o boom imobiliário e à iniciativa de Wall Street de desligar a fonte de dinheiro que financiava muitas dessas hipotecas subprime (de alto risco). No entanto, em vez de se tornar maior e mais forte, como previa Mozilo, a Countrywide - que no primeiro semestre concedeu um em cada seis empréstimos imobiliários nos EUA - agora combate não apenas seus próprios inadimplementos, mas também uma crescente escassez de crédito resultante do colapso nacional das hipotecas subprime. Na quarta-feira, afirmava-se que a Countrywide enfrentava dificuldades para obter empréstimos a curto prazo, analistas discutiam a possibilidade de uma falência da companhia e o preço de suas ações despencou 13%, levando para 50% a perda no ano. "Se houver muita pressão financeira sobre a Countrywide ou o mercado perder a confiança em sua capacidade de funcionar adequadamente, o modelo poderá quebrar", disse Kenneth Bruce, analista do Merrill Lynch. Ele aconselhou os investidores a vender suas ações da Countrywide, afirmando que a companhia poderá ir à bancarrota se a crise de liquidez se agravar muito. Um pedido de falência da financiadora tornaria a vida incerta - na melhor das hipóteses - para seus 61.500 empregados, dos quais 15 mil trabalham em Calabasas e outros pontos do sul da Califórnia. Uma Countrywide insolvente também poderia causar mais danos ao já enfraquecido mercado imobiliário americano, afirmou Guy Cecala, editor da Inside Mortgage Finance, publicação setorial de Bethesda, Maryland. "Seria um enorme choque para o sistema habitacional dos EUA e o sistema hipotecário como é percebido ao redor do mundo. Uma situação ruim se tornaria terrível", disse Cecala. Os proprietários de imóveis que fazem seus pagamentos mensais de hipotecas à Countrywide não deveriam ser afetados pelos problemas da companhia, disseram especialistas. No entanto, a crise poderia assombrar os clientes do Countrywide Bank, instituição de poupança e crédito de Alexandria, Virgínia, que cresceu dramaticamente depois de ter sido comprada pela Countrywide Financial em 2000. Em 31 de março, quase 40% dos US$ 57,7 bilhões em depósitos no banco não estavam segurados pela Federal Deposit Insurance Corp., segundo o website da FDIC. "Se algo acontecer com a matriz, o banco deverá ser capaz de se sustentar sozinho", afirmou David Barr, porta-voz da FDIC. Ele aconselhou os preocupados clientes do banco a negociar a estruturação de suas contas para que elas sejam totalmente seguradas. A FDIC protege contas individuais de até US$ 100 mil, mas um casal pode segurar até US$ 1 milhão em depósitos numa única instituição criando contas múltiplas, disse Barr. Rick Simon, porta-voz da Countrywide, afirmou que ninguém na empresa comentaria quarta-feira as especulações sobre falência nem discutiria detalhes de sua situação. "A administração dedica-se integralmente a conduzir os negócios num ambiente em mutação", afirmou Simon. Vários empregados entrevistados na tarde de quarta-feira numa calçada diante da sede da Countrywide disseram que, nos corredores do grande complexo, não circulavam boatos sobre problemas de crédito na companhia. "Até onde sabemos, é uma companhia estável", afirmou um especialista em tecnologia de 27 anos que não quis se identificar. Ele disse que trabalha na Countrywide há cinco anos.

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