As bonificações estão de volta

Foi uma maneira agradável de passar uma tarde amena: uma festa de verão no verde exuberante do mais antigo jardim botânico de Londres.Os copos de champanhe tilintavam enquanto os convidados, empresários, políticos e estrelas do mundo do entretenimento se confraternizavam nessa elegante festa oferecida pelo conhecido relações públicas Alan Parker, no Chelsea Physic Garden, terça-feira.O patrão da Marks & Spencer, sir Stuart Rose, andava ao lado do ator Stephen Fry e do secretário da Justiça Jack Straw, enquanto conhecidos banqueiros falavam com entusiasmo sobre o novo termo da moda no seu setor renascido: BAB, indicando que as grandes bonificações estão de volta. A entrada do novo termo no léxico da City londrina, distrito financeiro da capital britânica, é prova de que os banqueiros estão de novo à espera de gratificações recorde, apenas oito meses depois de o setor entrar em colapso e os governos em todo o mundo precisarem correr em seu socorro.É universalmente aceito que as enormes compensações pagas aos banqueiros por assumirem enormes riscos foram a causa fundamental da crise, e no entanto os 28 mil funcionários da Goldman Sachs - 5,4 mil em Londres - hoje estão à espera de receber as maiores gratificações nos 140 anos de história do banco. Credit Suisse, Deutsche Bank, Barclays capital, JP Morgan e Morgan Stanley também preveem lucros recordes.Mesmo o Royal Bank of Scotland, hoje com 70% sob controle dos contribuintes britânicos, que supostamente deveria limitar essas remunerações, também voltou a trabalhar como nos tempos de prosperidade. Em março, um importante executivo do banco recebeu um pacote de ações e opções num valor equivalente a US$ 13 milhões. Esta semana foi divulgado que o pacote de remunerações do novo diretor executivo, Stephen Hester, é de US$ 24,5 milhões.Alguns meses depois de mostrar a porta de saída para muitos funcionários, os bancos de investimento estão contratando freneticamente. Os negócios estão em expansão - em grande parte como resultado do caos financeiro causado pelos banqueiros. Os mercados de títulos estão agitados, por causa da necessidade de o governo financiar seus déficits, enquanto os problemas econômicos criaram uma volatilidade (lucrativa) nos mercados de câmbio. Até mesmo as obrigações garantidas fizeram o seu retorno.O termo BAB resume perfeitamente o sentimento atual, da mesma maneira que "ganância é uma coisa boa" e "mestres do universo" representaram os dias impetuosos de Wall Street na década de 80. A "exuberância irracional" - frase cunhada pelo ex-chairman do Federal Reserve, Alan Greenspan - tornou-se sinônimo do boom das empresas de informática e tecnologia, enquanto Warren Buffet qualificou os derivativos como "armas de destruição financeira em massa" - no final das contas, uma previsão totalmente precisa. *Julia Finch é jornalista

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