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As contas da Petrobrás

O fator mais relevante do balanço da Petrobrás não é o prejuízo, mas a falta de condições para se prever resultados

Celso Ming, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2015 | 22h04

O alentado prejuízo da Petrobrás no terceiro trimestre (R$ 3,76 bilhões) não é o fator mais relevante a pinçar destas contas tão implacavelmente maceradas.

O fator mais relevante é a falta de condições para se prever resultados. Não foi à toa que os números do balanço derrubaram as projeções do mercado. É que, nas condições atuais, nunca se sabe o tamanho do patrimônio a ser dado como definitivamente deteriorado (impairment) e que, por isso, deve ser extirpado do balanço.

Foram providenciadas baixas contábeis em 2014 de R$ 50,5 bilhões, dos quais R$ 6,2 bilhões correspondentes às perdas por corrupção e outros R$ 44,3 bilhões pela diferença (a menor) entre o que foi gasto com investimentos e seu real valor do mercado. De janeiro a setembro deste ano, essa diferença já somou R$ 1,3 bilhão.

A operação de saneamento ainda não foi concluída. O balanço não inclui provisões para pagamento de indenizações nos processos que a Petrobrás enfrenta em Nova York, volume que pode ultrapassar os US$ 3 bilhões. Já há informações de que a Operação Lava Jato identificou desvios por corrupção superiores aos que já foram abatidos pela Petrobrás. Além disso, o diretor financeiro, Ivan Monteiro, anunciou a necessidade de uma operação de reavaliação de ativos (para baixo) em consequência dos novos preços do petróleo e de seu impacto sobre os negócios a ele ligados.

Mas, de longe, o principal problema da empresa é o excessivo endividamento bruto, que ultrapassou os R$ 506 bilhões. É uma situação insustentável cuja solução natural seria substancial reforço de patrimônio. Mas uma operação convencional de aumento de capital parece inviável. O Tesouro vive fase de enorme secura e não teria como despejar mais uns R$ 30 bilhões na empresa. Pagar em petróleo futuro, nos moldes da cessão onerosa praticada por ocasião do aumento de capital de 2010, esbarraria na falta de apetite do acionista minoritário de subscrever sua parte com dinheiro vivo – depois de tudo o que já aconteceu e o que ainda pode acontecer com a Petrobrás.

A diretoria da empresa bem que vem tentando revender ativos (subsidiárias, imóveis, instalações, plataformas, direitos de exploração, etc.), saída que enfrenta retração de interessados, num mercado em que os preços do petróleo e tudo o que está relacionado com ele sofrem de achatamento inédito nos últimos 40 anos.

Outra opção é tentar operações de venda de recebíveis (faturamento futuro). E uma terceira, tratar de renegociar as condições da dívida, contando para isso com eventuais avais do Tesouro ou de bancos estatais. Quase 85% do seu passivo está definido em moeda estrangeira. Pode ser interessante montar uma operação de swap que convertesse boa parte dessas obrigações em dólares e euros para reais.

Nos próximos dois ou três meses, a direção da Petrobrás deverá transmitir posições mais claras a respeito do que pretende.

Embora ainda seja assunto nebuloso, foi notável a ênfase dada pela diretoria à redução dos custos de produção. Quando o petróleo deslizava de US$ 120 para US$ 70 por barril, a diretoria garantia que essa baixa não a preocupava e não deveria preocupar o governo, porque os custos de produção no Brasil não passavam de alguma coisa entre US$ 40 e US$ 45 por barril. Pois agora os preços internacionais já estão arranhando os R$ 40, o que apontaria para inviabilidade de produção de boa parte das áreas do Brasil, se os custos de produção também não baixarem na mesma proporção.

No entanto, tanto a Agência Nacional do Petróleo como a própria direção da Petrobrás argumentam agora que enormes ganhos de produtividade derrubaram substancialmente os custos. Mas já não adiantam quais são exatamente esses novos parâmetros nem a quanto ainda poderiam cair.

A destacar, também, forte queda do consumo de derivados de petróleo no período janeiro a setembro, comparado com igual período de 2014. O de diesel, recuou 7,0%; o de gasolina, 10,0%; e o de nafta (matéria-prima para o setor petroquímico), 14,0%.

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