As contas externas, um desafio para o governo

Com os dados finais de novembro mais o resultado até o dia 14 de dezembro do balanço de pagamentos, o Banco Central (BC) pode apresentar sua previsão para as contas externas parciais deste ano e, ainda, especular com o provável resultado de 2013.

O Estado de S.Paulo

19 de dezembro de 2012 | 02h07

A despeito da satisfação manifestada pelo chefe do Departamento Econômico da instituição, Tulio Maciel, não é possível omitir o aspecto frágil dos resultados obtidos neste ano, especialmente a dependência em relação aos Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs) de um país cuja dívida externa bruta sobe para US$ 310,8 bilhões num contexto em que a moeda nacional se desvaloriza fortemente. E não se trata, diga-se de passagem, apenas da dívida total, mas do custo da sua liquidação, assim como do seu serviço, lembrando que quando a dívida foi contratada o real estava excessivamente valorizado.

O BC estima em US$ 52,5 bilhões o déficit em transações correntes, que ainda deverá crescer para US$ 65 bilhões no próximo ano. E o banco pensa em cobri-lo com o IED, que nos 11 primeiros meses já atingiu US$ 59,8 bilhões, fechará o exercício com US$ 63 bilhões e pode propiciar os US$ 65 bilhões em 2013.

A taxa de rolagem da dívida, que caíra para 113% em outubro, voltou a subir para 287% em novembro. O ideal seria que não ultrapassasse 100% em dezembro, para o serviço da dívida. Não se devem esperar grandes entradas com compra de ações ou títulos de renda fixa.

A melhoria poderá vir de uma queda das despesas com serviços. Não se pode contar com a queda dos juros pagos, quando a dívida cresce, e os lucros e dividendos são o preço para se obter IED. As multinacionais até procuram aumentar o envio de lucros e dividendos para compensar a crise em seus países de origem.

O governo acreditou que um Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre as despesas realizadas no exterior teria o efeito de reduzir essas despesas. Ao contrário, elas aumentaram, com a melhoria de renda da classe média, que também está viajando mais. É do lado da balança comercial que se pode esperar melhor resultado, desde que a extração de petróleo aumente, pois a recuperação da economia nos países mais avançados vai exigir mais tempo do que se previa.

É no comércio exterior que se poderia obter mais resultados, com aumento das exportações e diminuição de importações, implementando avanços significativos na modernização de equipamentos e de processos de inovação industrial que se traduzissem em oferta de produtos mais competitivos.

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