As diferenças entre as taxas de juros

No segundo dia da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, a taxa de juros básica da economia - Selic - foi elevada para 15,75% ao ano. O fator que mais pesou para a equipe econômica do BC foi o comprometimento da meta de inflação para este ano, que é de 4%, com possibilidade de oscilação de dois pontos para cima ou para baixo. Além disso, a crise econômica da Argentina também exerceu influência sobre a decisão.Esta taxa é a referência definida pelo Copom para a taxa de juros dos títulos públicos federais paga às instituições financeiras. Quando o investidor aplica em fundos de renda fixa, ele recebe uma remuneração inferior, pois as instituições cobram taxas pela intermediação. Há muitas taxas de juros no mercado e a pessoa física paga quantias bem superiores à da Selic. A Selic é considerada elevada para os padrões internacionais, apesar de já ter sido muito mais alta. Esta taxa está nos atuais patamares porque os juros altos fazem parte da política de controle da inflação e de captação de investimentos estrangeiros.As taxas de juros do mercado, que superam em muito a já elevada Selic, devem-se ao governo, que toma muito dinheiro emprestado do mercado, sobrando pouco para a pessoa física e para as empresas. Assim, os juros pagos para financiamentos, empréstimos, cheque especial, crediário, cartão de crédito etc. ficam mais elevados do que os da taxa Selic. Além disso, o governo brasileiro absorvia a maior parte dos recursos disponíveis no mercado nos anos de inflação alta, fazendo com que as instituições financeiras se acostumassem a emprestar quase que exclusivamente para o Tesouro. Hoje, elas apresentam dificuldades operacionais em conceder créditos para indivíduos e empresas e resistências em abaixar os juros. Também é importante saber que os juros cobrados pelas instituições bancárias são acrescidos dos custos administrativos e operacionais, dos lucros, de impostos (IR, IOF, etc) e do risco de inadimplência. Apesar de o consumidor aceitar créditos a juros em taxas exorbitantes e não reivindicar índices menores para as operações de varejo, os especialistas recomendam poupar, guardando o dinheiro em alguma aplicação financeira e fazendo compras à vista. Exemplos de taxas de juros para pessoa física Para se ter uma idéia de como os juros ao consumidor são altos, basta verificar que a taxa Selic de 15,75% ao ano corresponde a 1,23% ao mês. Nos bancos, as taxas de juros do cheque especial variam entre 7,70% ao mês, na Caixa Econômica Federal (CEF) e Nossa Caixa e 9,90% ao mês, no Bandeirantes, segundo pesquisa do Procon-SP (ver link abaixo). No BBVA a taxa de empréstimo pessoal, de 2,90% ao mês, é a menor entre as instituições financeiras. O Bradesco e o BCN cobram a maior taxa de empréstimo pessoal do mercado, de 5,40% ao mês. No cartão de crédito, as bandeiras Visa e Mastercard de vários cartões chegam a cobrar até 12% ao mês para pagamentos atrasados (caso dos cartões do Bradesco), os juros mais altos do mercado, enquanto que, no HSBC, o cartão Mastercard Premier tem o juro mais baixo, de 3,50% ao mês.

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