As diferenças entre as taxas de juros

Há pouco foi anunciado que a Selic, taxa básica referencial da economia, foi novamente mantida em 19% ao ano. Esta taxa é a referência definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) como taxa de juros dos títulos públicos federais paga às instituições financeiras. Quando o investidor aplica em fundos de renda fixa, ele recebe uma remuneração inferior, pois as instituições cobram taxas pela intermediação. Há muitas taxas de juros no mercado e a pessoa física paga quantias bem superiores à da Selic. A taxa Selic é considerada elevada para os padrões internacionais, apesar de já ter sido muito mais alta. Esta taxa está nos atuais patamares porque juros altos fazem parte da política de controle da inflação e de captação de investimentos estrangeiros. A crise argentina é um elemento importante, aumentando a instabilidade na região e estimulando uma saída de dólares do país, o que pressiona a Selic. As taxas de juros do mercado superam em muito a já elevada Selic, em grande parte devido à necessidade de captação de recursos do governo, que toma muito dinheiro emprestado do mercado, sobrando pouco para a pessoa física e para as empresas. Assim, os juros pagos para financiamentos, empréstimos, cheque especial, crediário, cartão de crédito etc. acabam ficando muito elevados. Além disso, o governo brasileiro absorvia a maior parte dos recursos disponíveis no mercado nos anos de inflação alta, fazendo com que as instituições financeiras se acostumassem a emprestar quase que exclusivamente para o Tesouro. Hoje, elas apresentam dificuldades operacionais em conceder créditos para indivíduos e empresas e resistências em abaixar os juros. Também é importante saber que os juros cobrados pelas instituições bancárias são acrescidos dos custos administrativos e operacionais, dos lucros, de impostos (IR, IOF, etc) e do risco de inadimplência. Na medida em que o consumidor aceita créditos a juros em taxas exorbitantes e não reivindica índices menores para as operações de varejo, os especialistas ainda recomendam poupar, guardando o dinheiro em alguma aplicação financeira e fazendo compras à vista. Exemplos de taxas de juros para pessoa física Para se ter uma idéia de como os juros ao consumidor são altos, basta comparar a taxa Selic de 19% ao ano com as taxas de juros cobradas no mercado. Nos bancos, as taxas de juros do cheque especial variam entre 7,70 % e 9,50% ao mês. Segundo pesquisa do Procon-SP referente a outubro (ver link abaixo), o HSBC e o BCN praticam a taxa mais alta no cheque especial, 9,50% ao mês, o equivalente a 197,14% ao ano. A taxa mais baixa no cheque especial, praticada pela Nossa Caixa, é de 7,70% ao mês, o equivalente a 143,6% ao ano. O BBV é o banco que cobra a menor taxa de empréstimo pessoal, de 3,50% ao mês. O BCN cobra a maior taxa de empréstimo pessoal do mercado, de 5,90% ao mês. No cartão de crédito, as bandeiras Visa e Mastercard de vários cartões chegam a cobrar até 12,90% ao mês no rotativo, o que equivale a 289,6 % ao ano, tanto para pagamentos atrasados como para o rotativo. Veja a tabela completa com as taxas de juros no link abaixo.

Agencia Estado,

19 Dezembro 2001 | 21h44

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