As dimensões do ajuste econômico, segundo a CNI

Queda de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB), de 3,4% do PIB industrial, de 0,6% do consumo das famílias, de 6,2% da Formação Bruta de Capital Fixo e desemprego de 6,7% são as previsões da Confederação Nacional da Indústria (CNI) para 2015, contidas no Informe Conjuntural do primeiro trimestre. Mas os economistas da entidade afirmam que não há alternativa ao ajuste fiscal, preveem que o superávit primário das contas públicas seja muito semelhante ao anunciado pelo Ministério da Fazenda (1,13% do PIB, contra a projeção oficial de 1,2% do PIB) e que a grande ausência são medidas que favoreçam a competitividade do País.

O Estado de S.Paulo

19 de abril de 2015 | 02h04

As previsões da CNI se assemelham às oficiais e às divulgadas nos últimos relatórios do Fundo Monetário Internacional (FMI), com a inflação superior a 8% neste ano e um novo crescimento do endividamento público.

Mas a projeção de recuo do déficit na conta corrente do balanço de pagamentos - de US$ 91,3 bilhões, em 2014, para US$ 70 bilhões, neste ano - é melhor que a do Banco Central (US$ 80,5 bilhões) e do mercado (US$ 83,7 bilhões). E se explica pela redução do déficit de serviços e rendas, e algum superávit comercial.

O ajuste previsto pela CNI é enorme: as indústrias usam cada vez menos a capacidade instalada e ainda assim estão crescendo os estoques indesejados, enquanto a receita e o emprego industrial declinam. Também é difícil a situação da indústria da construção civil e dos serviços industriais de utilidade pública, como a produção e a distribuição de eletricidade e a captação, tratamento e distribuição da água. Este será mais um ano de contração dessas atividades. Um dos únicos setores que ainda deverão crescer é a indústria extrativa. A agropecuária também crescerá (0,5%).

A redução da confiança dos empresários industriais empurra para baixo as intenções de investimento. A taxa de investimento deverá cair de 19,7% do PIB em 2014 para 18,7% do PIB neste ano. O declínio dos investimentos tem como agravante as "investigações de corrupção que afetam a Petrobrás e outras grandes empresas", mas também o "enfraquecimento da coalização governamental no Congresso Nacional", dificultando a aprovação de medidas estruturantes.

Mais importante no informe da CNI é a previsão de melhora dos indicadores fiscais, por corte de despesas, e cambiais, o que poderá abrir caminho para alguma recuperação em 2016.

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