'As empresas temem demitir e ter de recontratar logo depois'

O economista Caio Machado, da LCA Consultores, acredita que a economia provavelmente mais forte em 2013 não terá efeito relevante na redução da taxa de desemprego.

Entrevista com

LEANDRO MODÉ, O Estado de S.Paulo

21 de setembro de 2012 | 03h04

Como explicar um desemprego tão baixo se o crescimento da economia em 2012 está fraco?

A taxa de desemprego é composta pelo número de ocupados, pelo número de desocupados e pela População Economicamente Ativa (PEA). Nos últimos meses, percebemos a PEA crescendo em ritmo mais fraco. Esse é um dos fatores que têm ajudado a diminuir a taxa de desemprego. Em segundo lugar, a atividade econômica caiu mais fortemente do que a taxa de ocupação de trabalhadores. Uma das hipóteses para isso é que as empresas podem estar com medo de gastar com demissões e gastar de novo quando precisar contratar.

As empresas, então, acreditam que as perspectivas para a economia são positivas?

Exatamente. Elas não querem correr o risco de perder a mão de obra que já têm.

A expectativa de todo o mercado é de que a economia cresça mais fortemente no ano que vem. O desemprego cairá ainda mais?

O mesmo fenômeno que este ano impediu a taxa de desemprego de subir deve fazer com que, em 2013, ela não caia. Isso está relacionado com a produtividade do trabalho. Os empresários mantiveram os empregos, mas, em compensação, viram a produtividade cair. Por isso, é possível elevar a produção sem precisar contratar mais. De outro lado, teremos um aumento da pressão nos salários. A oferta de mão de obra qualificada, em especial, é reduzida. Esse é um dos fatores que podem aumentar as pressões inflacionárias em 2013.

Essas pressões podem levar o Banco Central a elevar os juros?

As pressões já estão incorporadas aos nossos modelos. Projetamos inflação oficial (IPCA) de 5,2%. Só vemos uma alta de 0,5 ponto da taxa Selic em novembro, para 8% ao ano.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.