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As escolhas de Obama

O presidente Obama, ao anunciar o programa de gastos, tentou seguir os conselhos do companheiro Lula. Não porque se errar prejudicará a eleição de outro presidente negro, mas porque seus erros terão consequências desastrosas para todo o mundo no futuro imediato - inclusive o país dirigido pelo companheiro - e tornarão medíocre o crescimento americano na próxima fase ascendente do ciclo.Os economistas de seu partido debatem: a urgência requer rapidez a qualquer custo, mas a qualidade das medidas determinará o crescimento econômico de longo prazo que emergirá dessa crise. Para uns, interromper a queda livre da demanda é mais importante do que o padrão de oferta na recuperação. Há dois perigos nesse caminho: uma explosão do endividamento público, incompatível com o crescimento viável, que materializaria a chamada "eutanásia do rentista", e um colapso na confiança no dólar - a profecia de Nouriel Roubini que falta realizar-se -, que seria desastroso para a cooperação internacional e para a demanda por dívida americana.O sacrifício dos rentistas significa um desastre para os fundos de aposentadoria, maior carga tributária para os descendentes e fuga ao dólar, com riscos de uma saída inflacionária desorganizadora. Uma boa torcida para os que esperam a ruína americana. As suspeitas de colapso para o dólar dispararam os preços do ouro há algumas semanas, apesar de Wen Jiabao não ser um De Gaulle. Os preços reagiram bem aos discursos de Obama.Por que se preocupar com o crescimento da capacidade produtiva e com a produtividade ante um tão nítido excesso de capacidade? Este talvez seja um traço que distingue quem, por falta de oportunidade ou por culto ideológico, só aprendeu a economia de antes dos anos 70. Os sacerdotes do culto, que dominam o processo de concessão de bolsas governamentais para pós-graduação e agora o Ipea, celebram o incêndio de Roma. Para eles, a volta dos anos 30 representaria uma espécie de atualização sem dor de seu conhecimento, viabilizada pela entrada da economia numa máquina do tempo rumo a 1848. Os candidatos a suceder Lula deveriam se opor a estes ressuscitados pela crise, pois a chamada indiscriminada dos empresários aos potes públicos vai gerar novos zumbis para o próximo governo, como nos anos 80.Os debates dos anos 70 ensinaram a importância de evitar que o ciclo se "resolva" via contração da capacidade de crescer. Os mesmos que reconhecem que a Grande Depressão só foi superada em termos de crescimento econômico com os gastos de guerra têm de ser lembrados que estes não foram apenas despesas com armamentos. O esforço de superação da baixa produtividade gerou desde uma revolução na tecnologia de materiais, incorporada em novos produtos, até as técnicas de programação linear, que permitiram nova racionalidade à organização da produção, aos processos industriais e à revolução logística. Aliados a um esforço científico multinacional sem precedentes, sustentaram o poder ocidental na segunda metade do século 20.O programa fiscal de Obama tenta reproduzir a organicidade dos orçamentos de guerra. Não se sabe se conseguirá rapidamente gerar empregos e recuperar o consumo das famílias. Martin Feldstein provocou: para maior rapidez, basta ampliar os gastos militares, pois os projetos estão prontos. Obama não ignorou as necessidades de reforçar os orçamentos militares nem as pressões distributivas. Nem mesmo os "keynesianos verdes" de Al Gore argumentam que gastos meritórios sejam um caminho rápido para a recuperação. O dilema é como ser rápido, preservar a coesão social e garantir que o déficit não faça explodir a dívida pública e o dólar.É possível estimular rapidamente a demanda e garantir um crescimento não medíocre da oferta? Esse é um desafio para os competentes economistas de Obama. Mesmo que tenham, como é provável, de estatizar parte importante do sistema bancário, para que este volte a emprestar, dar financiamento para que Detroit fabrique carros que possam ser vendidos e ajudar os mutuários para que os preços de imóveis encontrem um piso, infelizmente, para nossos ideólogos que esperam Godot, isso não significa o fim do sistema capitalista, mas uma complexa resolução de um jogo de equilíbrio entre regulados e reguladores numa economia de mercado.Excessos de regulação produzem uma sociedade burocratizada; as faltas, uma economia mais sujeita a crises como a atual. Já o culto da ignorância perpetua o subdesenvolvimento. *Dionísio Dias Carneiro, economista, é diretor da Galanto Consultoria e do IEPE/CdG

Dionísio Dias Carneiro*, O Estadao de S.Paulo

27 de fevereiro de 2009 | 00h00

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