As expectativas pioraram na América Latina

Para a região, será difícil evitar o impacto da situação cambial; entre maiores problemas estão corrupção e falta de infraestrutura adequada

O Estado de S.Paulo

31 Maio 2018 | 04h00

Além do estado atual da economia e dos negócios, as expectativas para o futuro pioraram no mundo e na América Latina, segundo a Sondagem Econômica da América Latina Ifo/FGV. E como a sondagem se baseou em entrevistas feitas em abril, é possível que os próximos resultados mostrem deterioração, devido ao agravamento das tensões nos países desenvolvidos decorrentes do protecionismo norte-americano e de conflitos no Oriente Médio.

As expectativas globais pioraram após dois trimestres de melhora. O clima econômico ainda é positivo nos países desenvolvidos, mas foi puxado para baixo pelos Estados Unidos e pelo Japão. Os analistas ouvidos parecem levar em conta os riscos de piora da situação fiscal norte-americana, com repercussões ruins no longo prazo. A situação é menos negativa na União Europeia, mas surgiram novas incertezas, por exemplo, na Itália.

Na América Latina, pioraram mais os resultados da Argentina, do Brasil e do Peru, mas também os da Bolívia e da Colômbia. Para a região, será difícil evitar o impacto da situação cambial, pois à valorização do dólar corresponde a depreciação das demais moedas.

O caso mais grave é o da Argentina, que já iniciou as discussões para tomar recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI). Isso ocorreu em maio, depois das pesquisas do Ifo e da FGV. A Argentina ainda estava no campo positivo, embora com forte tendência de recuo. A melhor posição na região é a do Chile.

Segundo a pesquisadora Lia Valls Pereira, do Ibre/FGV, “Colômbia e Peru estão em melhor situação que Brasil, Argentina e Bolívia, que devem esperar piora nas condições do clima econômico nos próximos meses”. As declarações foram anteriores à greve dos transportadores, que agravou muito os problemas locais.

Até então, os maiores problemas eram corrupção e falta de infraestrutura adequada, além das desigualdades de renda e a demanda insuficiente, seguidas de falta de competitividade internacional, barreiras legais e administrativas para os investidores e falta de inovação e instabilidade política. O ponto mais alto é a credibilidade do Banco Central, seguido pelo clima para os investidores estrangeiros e o gerenciamento da dívida. Os desafios são enormes para que o quadro possa mudar, para melhor, no futuro governo, se predominar a percepção de que os maiores riscos estão na esfera estatal.

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