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As expectativas que o IPCA baixo alimenta

Com alta de apenas 0,08%, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, registrou em setembro a menor variação para o mês desde 1998

O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2016 | 03h13

A desaceleração da inflação no mês passado, considerada uma surpresa positiva pelo presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, voltou a estimular as especulações sobre o corte dos juros básicos na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) marcada para os dias 18 e 19.

Com alta de apenas 0,08%, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE, registrou em setembro a menor variação para o mês desde 1998, fato que analistas consideram um argumento forte para a redução da taxa Selic. Obviamente, o comportamento da inflação é elemento essencial para o balizamento das decisões do Copom. Não é, porém, o único, e isso o BC tem deixado claro em seus documentos e análises, entre os quais o Relatório Trimestral de Inflação divulgado há pouco.

Além da evolução do IPCA, o BC diz que a condução da política monetária depende da velocidade e da consistência do processo de desinflação, de modo a assegurar uma tendência declinante que conduza à meta de 4,5% no fim de 2017. O terceiro fator é a evolução do programa de ajuste fiscal.

Tem sido bastante favorável a evolução de alguns preços. Em setembro, dos nove grupos de produtos e serviços que compõem o IPCA, o de alimentos foi o que apresentou a maior queda (de 0,29%) em relação a agosto. O preço do leite, que vinha subindo de maneira contínua, registrou queda de 7,89% no mês passado. Também os preços do feijão, das farinhas e de produtos in natura contribuíram para a baixa inflação de setembro. Mas, em outubro, a emergência de novas fontes de pressão deve fazer o IPCA subir.

Como a alta dos últimos meses tem sido menor do que a dos períodos correspondentes do ano passado, a inflação acumulada no ano e em 12 meses vem diminuindo. Mesmo assim, os índices continuam muito altos. O de 12 meses até setembro está em 8,48%. Não há uma tendência nítida de desinflação. É preciso saber se a inflação de setembro não foi resultado apenas de circunstâncias temporárias, como ressalvou o presidente do BC.

Quanto à política fiscal, a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, a PEC do Teto para os gastos públicos, significará avanço importante, mas, como tem destacado o BC, medidas isoladas, ainda que de grande efeito, não são suficientes. É necessário que a composição de ações de ajuste fiscal comece a produzir resultados. E isso ainda não está assegurado.

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