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As frentes de ataque do Grupo Pão de Açúcar

Sob o controle dos franceses do Casino, varejista promove expansão recorde, com foco em minimercado de bairro e 'atacarejo'

Naiana Oscar, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2014 | 02h03

Num ano em que os supermercados brasileiros planejam um crescimento modesto, de 3%, o Grupo Pão de Açúcar, maior varejista do País, colocou em curso um ousado projeto de expansão. Sob o comando dos franceses do grupo Casino, a rede vai inaugurar entre 2014 e 2016, 650 novas lojas, praticamente quatro por semana. O número é 2,6 vezes maior do que as 249 unidades abertas nos últimos três anos, quando a companhia ficou no meio de um fogo cruzado entre os acionistas franceses e o antigo controlador, Abilio Diniz.

Agora, com o Casino sozinho à frente do negócio, o plano de expansão ganhou mais relevância. O segmento de alimentação, que inclui as bandeiras Extra, Pão de Açúcar e Assaí, vai liderar o crescimento. E entre essas marcas, duas aparecem como carro-chefe: o atacarejo Assaí, adquirido pelo grupo em 2007, e o modelo de mercadinho de bairro, com as bandeiras Extra Minimercado e Minuto Pão de Açúcar, cuja primeira loja entrou em operação há uma semana, nos Jardins, região nobre de São Paulo.

"Para este ano, identificamos oportunidades para abertura de lojas em todos os nossos negócios, em várias regiões do País", diz o presidente do grupo, Ronaldo Iabrudi, que assumiu o cargo em janeiro deste ano no lugar de Enéas Pestana, executivo contratado em 2002 por Abilio Diniz, que agora está presidindo o conselho de administração da fabricante de alimentos BRF.

Embora não tenha experiência no varejo, Iabrudi é conhecido de longa data do francês Jean-Charles Naouri, dono do Casino, e homem de confiança do chefe no Brasil. No ano passado, ele foi contratado como representante do Casino no País e em seguida virou presidente do conselho de administração do Grupo Pão de Açúcar. Com a saída inesperada de Pestana, Iabrudi assumiu a presidência e, ao menos por enquanto, é responsável por liderar a maior expansão da história recente da companhia.

A ofensiva do Pão de Açúcar coincide com um momento em que os concorrentes estão tomando fôlego para voltar a crescer. Com novo comando no Brasil desde dezembro do ano passado, o Carrefour não inaugura uma loja com sua principal bandeira desde 2010. "Ele tem de reaprender a se expandir", disse recentemente o executivo francês Charles Desmartis, responsável pela operação brasileira do Carrefour, que é a segunda maior varejista do País.

A chilena Cencosud, quarta do ranking, também não está a todo o vapor. Dona das bandeiras GBarbosa, Bretas, Prezunic, Perini e Mercantil Rodrigues, a empresa acabou de anunciar o fim do processo de integração das redes, após um período de redução do quadro de funcionários e queda na margem operacional.

"Como crescer com supermercados está cada vez mais complicado, por causa da dificuldade de encontrar mão de obra, da valorização imobiliária e da própria mudança de hábito do consumidor, o Pão de Açúcar está se valendo dos vários formatos que têm em seu portfólio para fazer a expansão", diz Sussumo Honda, presidente do conselho consultivo da Associação Brasileira de Supermercados (Abras).

Duas tendências de mercado serviram de base para definir a estratégia do grupo: clientes em busca de preço baixo, no caso do atacarejo, e consumidores de centros urbanos atrás de conveniência, mesmo que isso signifique gastar um pouco mais.

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