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As idéias de quem está no começo

Entrevista: Líder do Comitê de Jovens Empreendedores da Fiesp, Sylvio Gomide, fala sobre os planos do grupo

Leonardo Pessoa, O Estadao de S.Paulo

17 de dezembro de 2008 | 00h00

Aos 29 anos, o empresário Sylvio Gomide desfruta de uma invejável posição no mundo dos negócios. Além de conduzir duas grandes escolas na cidade de São Paulo em continuidade aos negócios da família, ele trafega pela poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) aprendendo na prática lições da elite empresarial brasileira - a indústria paulista responde por 43,8% do Produto Interno Bruto brasileiro.Ao presidir o Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da entidade, que reúne mais de 600 integrantes com média de 25 anos, ele quer, assim como todos os demais participantes, dotar seu empreendimento de uma nova postura, indo ao encontro do que os grandes nomes dessa indústria já fazem: buscam o lucro, mas atendendo aos preceitos da sustentabilidade. Quem são os jovens empresários que formam o Comitê?Esse grupo é formado por vários perfis. Há herdeiros de grandes indústrias, outros que abriram seus próprios negócios, aqueles que trabalhavam em grandes empresas e com o tempo se tornaram sócios. Há também os que ainda são funcionários, mas têm o desejo de empreender. E não estamos resumidos à indústria. Dentro dessa turma de 660 pessoas, há profissionais do comércio e serviços. Todos na faixa de 25 anos.Há espaço para novos participantes?Não queremos um grupo de milhares de membros. Queremos crescer de forma sustentável, manter o mesmo nível de quando éramos 50. Mas há sim espaço para outras pessoas. A maioria que se interessa vai atrás de nossos eventos, que hoje também transpõem a barreira do empreendedorismo. Fizemos agora em dezembro um seminário sobre as oportunidades com as novas descobertas do pré-sal. Geralmente participa quem quer pensar no seu negócio em longo prazo procura se informar e, aos poucos, entrar para a agenda de atividades que organizamos.O que significa para esses jovens empreendedores circular pela Fiesp? Pode-se dizer que isso os torna mais competitivos? Antes de mais nada, são pessoas que sabem que os resultados não se fazem de um dia para o outro e que o trabalho é algo de médio a longo prazo. São aqueles jovens que vão atrás, fuçam e não esperam somente de governo, nem de qualquer outro agente, a solução para alguns entraves.Integrar o Comitê significa muito para um jovem, porque ali dentro você se articula com grandes nomes industriais. Mas vantagem não se restringe a isso. Participamos na tomada de decisões importantes que se refletem diretamente na economia. Temos 83 cadeiras permanentes nos departamentos da Fiesp, nos envolvemos diretamente nas questões com que a entidade se preocupa.Como é na prática? Com o Paulo (Skaf, presidente da entidade), a federação deixou de ser intocável. Veja essa própria iniciativa de abrir espaço para jovens empresários. Há pessoas em nosso grupo de vinte anos, por exemplo. Na visão dele, muitas coisas que não seriam função da indústria ganharam força. Posso destacar nossa mobilização contra a CPMF, que ajudou a campanha no recolhimento de 1,1 milhão de assinaturas contra o tributo. Fomos em 25 para Brasília conversar com senadores para saber qual motivo os faria voltar a favor da CPMF. E quando vimos, estávamos lá, nos gabinetes fazendo uma espécie de barulho.O movimento ressuscita uma juventude contestadora, deixando para trás esse estigma de uma geração pouco politizada e anestesiada?Certamente. Eu, por exemplo, faço parte da terceira geração que administra os negócios da família (escola). Percebo que posso juntar uma boa gestão com novos conceitos que fazem todo sentido para o futuro de todos. É isso que os jovens querem. Quem não conseguiu ainda imprimir esse novo conceito, quer aprender. Nossa intenção com o grupo é despertar esse compromisso entre os mais jovens empreendedores, como evitar o desperdício e conciliar lucros com sustentabilidade. Entre os participantes, quem pratica esse posicionamento diferenciado?Há muitos exemplos. O Gustavo Filgueiras, do Hotel Emiliano, se destaca quando falamos na neutralização do carbono. Ou o Lito Rodrigues, da DryWash, que foi atrás de um conceito novo para lavagem de carro a seco. São somente dois dos inúmeros casos de quem já sabe combinar rentabilidade com as novas demandas globais.Quando falam em nova imagem empresarial, conforme destaca a missão do grupo, a idéia é abolir comportamentos do empresariado mais antigo?Muitos empresários de antigas gerações perceberam que precisavam mudar. Viram que não têm outra saída a não ser incorporar uma nova visão de negócios. Vejamos o Pão de Açúcar. A empresa hoje faz maratonas, patrocina atletas, incentiva a qualidade de vida e o bem-estar. Para os mais novos, acredito que conceber negócios de olho no que a empresa pode fazer de bom ao consumidor é quase uma obrigação. Ou seja, até os mais antigos já mudaram sua posição. Para nós, a tarefa é emergente.Como o jovem brasileiro empreende? Tudo isso que o Comitê realiza já é bem assimilado fora das portas da Fiesp ou ainda são discussões concentradas?Vemos que o jovem ainda empreende por necessidade. Lógico que há histórias de sucesso de empresas nascidas da oportunidade, como é o caso de inúmeros negócios em informática e ambientes virtuais, por exemplo. Mas, aos poucos, o jovem começa a enxergar que há caminhos interessantes fora do padrão conhecido. No Comitê, 30% dos participantes ainda não empreenderam, mas até por isso buscam articular-se com o grupo para desenvolver negócios com reais chances de sucesso. Estão a poucos passos de fazer isso.Fora de São Paulo, que outras iniciativas podem ser destacadas no engajamento entre os jovens empresários?O Instituto de Estudos Empresariais (IEE) é um grupo bem diferenciado que vem desempenhando um trabalho importante. E temos a Confederação Nacional dos Jovens Empreendedores (Conaj), que reúne outros grupos. Mas São Paulo, por ser sede de grandes empresas, tem ainda uma força imensa na economia, é ainda quem puxa tudo isso. Administrador de empresas, Sylvio Gomide é sócio-diretor do Colégio Cidade de São Paulo e do Colégio Mater Dei e gestor do Colégio Internacional Anhembi Morumbi. É membro-fundador e presidente do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Antes era da área de Responsabilidade Social do grupo.

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