Daniel Teixeira/ Estadão
Daniel Teixeira/ Estadão

As lições de quem pediu demissão para buscar mais alegria no trabalho

De falta de compaixão da chefia a jornadas excessivas, motivos não faltam para repensar a carreira no pós-pandemia

Karla L. Miller, The Washington Post

29 de outubro de 2021 | 06h41

Há uma tendência nos Estados Unidos de se acreditar que, quando as pessoas estão passando por dificuldades, é porque elas não seguiram “as regras”: estudar com afinco, trabalhar duro, conseguir um diploma, continuar no caminho, aposentar-se na idade prevista e não reclamar. Mas os trabalhadores que estão pedindo demissão voluntariamente estão descobrindo que as regras habituais não se aplicam a todos os casos. E que, em alguns deles, não há nada de errado em tentar algo novo.  

Mudanças em série

Anthony Fuscellaro, de Biddleford, Maine, pulou de emprego em emprego na maior parte de sua vida profissional desde que largou a faculdade. Em março de 2020, Fuscelllaro, 30 anos, foi contratado como operador de empilhadeira em um armazém. Durante o primeiro ano, ele disse, em um e-mail, “gostava de trabalhar e acreditava que, se continuasse dando o meu melhor para a empresa, a recíproca seria verdadeira”. 

Mas, no último verão, uma onda de calor fez com que as temperaturas do armazém ficassem em 54 ºC. Ele foi hospitalizado devido à insolação e suspenso por ter deixado de trabalhar nesse período. “Estávamos trabalhando entre 60 e 72 horas por semana e sendo obrigados a fazer hora extra”, lembra.

Depois de prometer contratar mais gente, a empresa demitiu 25 funcionários, sobrecarregando quem havia ficado. “Foi a gota d’água para mim. Pedi demissão. Foi a melhor decisão para minha saúde física e mental”, disse Fuscellaro. Desde então, ele tem trabalhado em empregos temporários. 

“Todo mundo é perdoado por pular de um emprego para o outro entre 2020 e 2021”, disse, por e-mail, a coach de carreira Lauren Milligan, CEO da ResuMAYDAY, lembrando que hoje muita gente está em busca de uma transição de carreira. 

Cursos: vale a pena?

Vários leitores disseram que estão fazendo cursos de programação e treinamentos intensivos em software. Doug, gerente de contratação de uma startup de São Francisco, cujo nome não pode ser revelado, disse receber uma enxurrada de currículos de gente que acabou de sair desse tipo de treinamento. 

Portanto, a menos que você saiba que um curso é o melhor meio para um objetivo específico, invista em conjuntos de habilidades amplo, que poderão ser usados em várias áreas. 

Tenha voz

Os trabalhadores estão mais propensos a deixar seus empregos quando não é dada atenção às suas preocupações. Ellen Goldlust queixou-se inúmeras vezes da sobrecarga de trabalho em uma editora na Carolina do Norte. 

Por isso, quando recebeu uma oferta de uma editora da Virgínia, Ellen deixou de lado a angústia com a mudança. “Estou muito feliz por ter tomado essa decisão”, disse Ellen. “Meus novos colegas me tratam com respeito e fazem eu me sentir valorizada.”

Exija lealdade

Uma das principais razões para os trabalhadores deixarem seus empregos são os gestores que colocam a hierarquia acima da gentileza. Para James, veterano da guerra do Iraque e estudante de MBA no Texas, a decisão de pedir demissão de seu emprego de gerenciamento de projetos foi desencadeada pelas demandas excessivas e pela falta de compaixão da chefia.

Embora sua equipe estivesse entregando bons produtos, dentro do prazo, enquanto trabalhava remotamente, James disse que os gestores “surtavam” quando o status do Microsoft Teams indicava que os funcionários estavam longe do teclado. A gota d’água, disse James, foi quando seus filhos contraíram covid-19. O chefe de James insistiu que ele fosse para o escritório. Em vez disso, James pediu demissão. / TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

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