As montadoras apostam em bons augúrios em 2014

A produção do setor automobilístico em janeiro foi melhor que a de dezembro. A ponto de os dirigentes da associação de montadoras (Anfavea) aumentarem de 0,7% para 1,4% a estimativa de alta da produção, entre 2013 e 2014. Cabe avaliar no que se ampara a nova projeção, pois há fatores desfavoráveis ao mercado de autos que não devem ser descartados, como a pressão de juros e as dificuldades de manter as vendas para mercados relevantes para o País, como o da Argentina.

O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2014 | 02h04

Em janeiro, a produção de autoveículos aumentou 2,9% em relação a dezembro, mas caiu 18,7% na comparação com janeiro de 2013. Dados mais expressivos foram registrados em 12 meses, até janeiro, quando foram produzidos 3,66 milhões de autoveículos, 5% mais do que nos 12 meses anteriores. É o melhor indicador do ritmo de atividade do setor.

Janeiro é um mês favorável para a comercialização, pois grande parte das vendas é de veículos ano/modelo 2014, que podem alcançar maior valor de revenda, no futuro, do que os veículos ano/modelo 2013. Mas em 12 meses, até janeiro, os licenciamentos diminuíram 0,4% sobre os 12 meses anteriores.

Houve, de fato, uma desaceleração do mercado de veículos no segundo semestre de 2013. Mas, como se constatou no mês passado, não a ponto de preocupar o setor. Em janeiro, os piores indicadores vieram das vendas no atacado de máquinas agrícolas e rodoviárias, mas num período de 12 meses continuou havendo alta de vendas.

As exportações caíram, em janeiro, tanto em relação a dezembro (-26%) como a janeiro de 2013 (-13,3%), mas ainda são positivas em 12 meses (+12,8%). Dificuldades de exportação para a Argentina são consideradas contornáveis pelo presidente da Anfavea, Luiz Moan. Parece haver, neste caso, excesso de otimismo, pois a crise cambial argentina é gravíssima. Já a recuperação das exportações para o México parece mais viável, dada a evolução positiva da economia mexicana.

O maior problema da indústria automobilística nacional está na avaliação, feita por alguns economistas, de que o consumo em geral ainda está crescendo em ritmo insustentável. É pouco provável que o segmento de autoveículos continue sendo uma exceção, com base no status do carro novo na vida das pessoas. A combinação juro alto, elevação mais lenta da renda pessoal, inflação perto do teto da meta e baixa atividade econômica dificilmente passará ao largo das montadoras.

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