AMANDA PEROBELLI/ESTADAO
AMANDA PEROBELLI/ESTADAO

'As pessoas querem ser parte da cidade', diz urbanista que transformou Cingapura

Aos 79 anos, arquiteto Liu Thai Ker acredita que é preciso fazer as cidades funcionarem

Douglas Gravas, O Estado de S.Paulo

07 de abril de 2017 | 05h00

Para o arquiteto Liu Thai Ker, de 79 anos, as melhores cidades são as que funcionam. Nelas, trabalho e moradia – questões que devem estar na lista de preocupações do poder público – ficam próximos um do outro e medidas como a conservação dos recursos naturais e o controle da poluição não ficam relegadas ao segundo plano. ]

O urbanista é considerado o pai do projeto que transformou Cingapura em referência internacional de sustentabilidade e para a qual previu uma concepção urbana diferente da que foi herdada dos colonizadores britânicos. Em algumas décadas, a cidade-Estado implementou um amplo programa habitacional e alcançou soluções inovadoras, mesmo com um território restrito e superpovoado.

Thai Ker falou de sua experiência no Summit Imobiliário 2017. “Nós tínhamos muitos problemas habitacionais e ambientais. O nível educacional não era bom e a primeira geração de políticos depois da independência sentiu que era preciso pensar em novas mudanças para conseguir transformar um país pobre em um país desenvolvido, como oferecer moradia de qualidade para todos e boa infraestrutura.” 

Ele explicou que para resolver o problema de moradia, foram construídas as chamadas “habitações de emergência”, apartamentos de cerca de 23 m². O governo alugou esses imóveis para cidadãos sem muitos recursos, mas que podiam pagar um valor baixo. Aos poucos, a indústria da construção se tornou mais forte fazendo com que se atingisse a faixa dos beneficiários mais carentes. 

Para Thai Ker, as melhores cidades são aquelas que funcionam. Além da questão da moradia, elas precisam resolver questões de mobilidade, que passam pelo conceito de oferecer opções de trabalho mais próximas dessas moradias. “Morar em uma cidade preocupada com o meio ambiente é outra forma de se conservar a beleza. De diferentes maneiras, as pessoas querem se sentir parte da cidade.” 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.