''''As petroquímicas terão de competir''''

Presidente da Petrobrás nega que reestruturação da petroquímica privilegie grupos e prejudique a competição

Leonardo Goy e Gerusa Marques, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

05 de dezembro de 2007 | 00h00

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, acredita que as operações de reestruturação do setor petroquímico, anunciadas na sexta-feira passada, não deverão enfrentar problemas para serem aprovadas no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Além disso, afirmou que as duas empresas que comandarão o setor no País - Braskem e Unipar - vão competir entre si, mesmo tendo ambas participação acionária da estatal. "Quem decide isso é o Cade, mas nossa avaliação é que não deverá haver grandes problemas. Esse setor é internacional. A competição não é local", disse ontem Gabrielli, em entrevista após apresentar os detalhes da reestruturação do setor petroquímico ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Foram fechadas três operações simultâneas na semana passada: a criação da central petroquímica do Sudeste, tendo a Unipar como majoritária e a Petrobrás como minoritária; a conclusão da compra da Suzano Petroquímica pela Petrobrás e a troca de ativos petroquímicos da Petrobrás por ações da Braskem. Com as operações da semana passada, a Petrobrás passará a ter 25% do capital total da Braskem. Na nova companhia formada pela estatal com a Unipar, a fatia da Petrobrás será de 40%. A estatal nega que esteja estatizando o setor ou escolhendo vencedores e perdedores de negócios privados. Gabrielli chamou a atenção para o fato de que a Petrobrás, apesar de participar dos dois grupos, não terá voto em questões relativas à concorrência. Ele afirmou que não há, atualmente, "nenhuma perspectiva" que esses dois grupos venham a se fundir: "Ao contrário, queremos que haja competição intensa e que os dois cresçam." Para ele, a reestruturação leva o setor petroquímico a um novo patamar. "Teremos dois grandes grupos econômicos com musculatura suficiente para enfrentar a competição internacional e para crescer na forma necessária." A reformulação societária do setor, porém, tem recebido críticas, como do empresário Boris Gorentzvaig, sócio da Petroquímica Triunfo, que acusa o governo de ter favorecido a Odebrecht (sócia da Braskem), criando uma espécie de "monopólio privado".Gabrielli rebateu as críticas, afirmando que o sócio da Triunfo é um ''''minoritário irrelevante''''. Segundo Gabrielli, a Triunfo não poderia liderar a consolidação do setor. "A reestruturação tem que ser feita com grupos fortes", disse. O diretor de abastecimento da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, disse que, se não houver acerto com a Triunfo, a estatal irá cobrir com recursos próprios o valor equivalente à fatia da empresa.

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