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As redes de inovação

A internet mudou o jogo da inovação, e as empresas precisam se adaptar a esse cenário. A queda nos preços dos computadores, as ferramentas gratuitas de software livre e a possibilidade de se conectar em redes reduziram os custos de se lançar coisas novas. Atualmente, é muitas vezes mais barato tentar diretamente do que pesquisar a viabilidade de um novo produto ou serviço.

Renato Cruz, O Estado de S.Paulo

28 de abril de 2013 | 02h08

Joi Ito, diretor do Media Lab, laboratório de mídia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), vem a São Paulo participar do "Challenge of Innovation 2013: Thinking out of the Box with MIT", dias 7 e 8 de maio. O evento é promovido pela Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi), de Santa Catarina, e pelo Industrial Liason Program, do MIT.

Conversei com Ito na semana passada, por telefone. "Planejo falar de inovação em redes abertas", disse. "Hoje temos a internet, que conecta tudo e cria ecossistemas de produtos, no lugar de produtos isolados. Mais importante, reduz os custos de distribuição e de colaboração. Isso faz com que os custos da inovação caiam. No passado, construir uma empresa de software ou serviço online demandava milhões de dólares. Você precisava ter um plano, levantar o dinheiro e contratar engenheiros. Era muito caro inovar. Então, a maioria da inovação acontecia dentro de grandes organizações. Mas, se você pensar nessa grande mudança recente, empresas como Google, Yahoo e Facebook criaram seus produtos praticamente sem dinheiro."

O Media Lab foi criado no MIT em 1985, pelo professor Nicholas Negroponte. Entre as inovações surgidas de pesquisas do laboratório estão a tinta eletrônica, tecnologia presente nos leitores de e-books como o Kindle, da Amazon, e o Nook, da Barnes & Noble; o laptop de US$ 100 desenvolvido pela One Laptop Per Child (OLPC); e a empresa Harmonix, que criou jogos Rock Band e Guitar Hero. Ito assumiu o comando do Media Lab em 2011.

Nascido no Japão, construiu sua carreira como empreendedor, investidor e ativista da internet. Apesar de comandar um centro de pesquisas numa universidade, Ito não terminou o curso superior. Começou a estudar ciência da computação na Universidade Tufts e física na Universidade de Chicago, sem terminá-los. Foi um dos primeiros investidores de empresas como Twitter, Flickr, Kickstarter e Last.fm. Atualmente, participa dos conselhos do New York Times e das fundações Knight e MacArthur.

Desde que assumiu o posto, deixou de ser investidor. Mas qual é o seu método para identificar empresas e ideias promissoras? "Tomei contato com as empresas em que investi a partir da rede de pessoas que conheço. Não sou de olhar planos de negócio. Analisava o produto, conhecia as pessoas e, se gostava do que via, decidia investir."

Esse foco em ideias e pessoas está de acordo com o cenário traçado por Ito, em que é possível criar uma empresa praticamente sem dinheiro. "A criação de uma empresa como o Google ou o Facebook tem mais a ver com a ideia e sua execução no curto prazo", disse. "Mais e mais, ideias e tecnologias surgem de empresas iniciantes e de estudantes, fora da pesquisa tradicional, fortemente financiada." Ele quer reforçar a atuação do laboratório em áreas como biotecnologia, ciência de cidades e educação.

A principal fonte de recursos do Media Lab são empresas patrocinadoras. A Natura é uma delas. Num acordo fechado em novembro, o governo de Minas Gerais tornou-se a primeira entidade governamental da América Latina a se tornar uma parceira. O Grupo Estado já foi um se seus patrocinadores, há duas décadas. "Temos muitas conexões com o Brasil", afirmou Ito. "Queremos desenvolver novas parcerias brasileiras, também nas áreas acadêmica e de educação. Até agora, têm sido principalmente com empresas."

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